Após semanas de contagem de votos e uma das eleições mais disputadas da história recente do Peru, Keiko Fujimori confirmou sua vitória na corrida presidencial e será a próxima presidente do país. A candidata conservadora conquistou uma vantagem considerada irreversível sobre o candidato de esquerda Roberto Sánchez, encerrando um processo eleitoral marcado por forte polarização política e questionamentos sobre o resultado.
Com mais de 99% das urnas contabilizadas, Fujimori alcançou cerca de 50,1% dos votos válidos, superando Sánchez por pouco mais de 43 mil votos. Embora a proclamação oficial ainda dependa das etapas finais do processo eleitoral, a diferença já não pode ser revertida pelos votos restantes.
A vitória representa a quarta tentativa de Keiko Fujimori de chegar à Presidência. Ela já havia disputado o cargo em 2011, 2016 e 2021, sendo derrotada em todas as ocasiões por margens reduzidas. Desta vez, conseguiu superar o histórico de derrotas e levar o movimento político conhecido como fujimorismo novamente ao comando do país após mais de duas décadas.
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000, Keiko construiu sua trajetória política apoiada na base eleitoral formada durante o período de influência de seu pai. A figura de Alberto Fujimori continua dividindo opiniões no país. Enquanto parte da população o associa ao combate à hiperinflação e aos grupos armados que atuavam no território peruano, críticos apontam violações de direitos humanos e práticas autoritárias durante seu governo.
A campanha presidencial deste ano teve como principais temas o combate à criminalidade, a recuperação econômica e a estabilidade institucional. Fujimori apresentou-se como uma liderança capaz de restaurar a segurança pública em um momento de aumento dos índices de violência e extorsão, questões que dominaram o debate eleitoral.
O resultado, porém, está longe de encerrar as tensões políticas. Roberto Sánchez se recusou a reconhecer a derrota e alegou irregularidades no processo eleitoral, sem apresentar provas que sustentassem as acusações. Organizações de observação eleitoral e autoridades responsáveis pela condução da votação afirmaram não ter identificado fraudes capazes de comprometer a legitimidade do pleito.
A demora na definição do vencedor ocorreu devido ao equilíbrio entre os candidatos. Durante vários dias, a diferença entre ambos foi medida em poucos milhares de votos, enquanto cédulas contestadas e votos de peruanos residentes no exterior passavam por revisão das autoridades eleitorais. Em diferentes momentos da apuração, tanto Fujimori quanto Sánchez chegaram a liderar a contagem.
Keiko Fujimori assumirá o cargo em 28 de julho e terá pela frente o desafio de governar um país que enfrenta uma prolongada crise política. Nos últimos anos, o Peru acumulou sucessivas trocas de presidentes, processos de impeachment, renúncias e investigações envolvendo líderes políticos. Nenhum presidente conseguiu concluir integralmente seu mandato na última década.
Além das dificuldades institucionais, a nova presidente herdará desafios econômicos e sociais importantes, incluindo o combate à pobreza, a redução das desigualdades regionais e a recuperação da confiança da população nas instituições públicas. Também precisará negociar com um Congresso fragmentado, cenário que tem contribuído para a instabilidade política peruana nos últimos anos.
A eleição de Keiko Fujimori consolida uma mudança no cenário político da América Latina, que vem registrando avanços de candidaturas de perfil conservador em diferentes países da região. No Peru, a vitória marca o retorno do fujimorismo ao centro do poder nacional e abre um novo capítulo na história política do país.







