O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 foi recebido positivamente por professores de redação e língua portuguesa. A proposta deste ano aborda “A valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) como direito universal” e foi considerada relevante e acessível por educadores ouvidos pela Agência Brasil neste domingo (8), primeiro dia de aplicação das provas.
Para os especialistas, a escolha permite diferentes caminhos de argumentação por tratar de um serviço presente no cotidiano dos brasileiros. A discussão também ganha relevância diante das desigualdades sociais do país e da visibilidade conquistada pelo sistema público de saúde durante a pandemia de covid-19.
Tatiana Nunes, professora de redação e linguagens em escolas do Rio de Janeiro, destacou a importância de discutir a saúde pública em uma sociedade marcada por diferenças no acesso a serviços essenciais. Segundo ela, o SUS precisa ser valorizado e receber investimentos compatíveis com a dimensão da população atendida.
A avaliação também foi positiva para Flávio Miguel, professor de língua portuguesa do ensino médio no Centro de Ensino Médio Ave Branca (Cemab), em Taguatinga, no Distrito Federal. Ele considerou o assunto acessível por fazer parte da realidade dos estudantes e do debate público.
Gabrielle Gulgueira Cavalin, gerente de Redação do Poliedro Educação, classificou a escolha como uma surpresa positiva. Na avaliação dela, a proposta se distancia de temas que vinham sendo recorrentes em edições anteriores do exame.
Argumentação precisa ir além de opiniões
Apesar de ser um assunto familiar para boa parte dos candidatos, os professores alertam que a proximidade com o tema não garante uma boa redação. O desafio está em desenvolver uma análise consistente sobre o que significa valorizar o SUS, apresentando argumentos e referências confiáveis.
Flávio Miguel recomenda que os participantes organizem o texto com introdução, dois parágrafos de desenvolvimento e conclusão. O professor também destaca a importância de utilizar repertórios socioculturais, como referências a livros, filmes, séries e pensadores, desde que tenham relação com a discussão.
Para ele, é fundamental distinguir opiniões pessoais de argumentos sustentados por informações e explicações.
Tatiana Nunes também ressalta que a simples menção a uma obra ou dado não é suficiente. O candidato precisa demonstrar capacidade de relacionar o repertório ao tema e construir uma reflexão crítica.
A professora recomenda o uso de referências legítimas e consistentes, evitando informações falsas ou conteúdos sem credibilidade.
Atualidades podem fazer diferença
Carolina Siequeroli, gerente sênior da Redação Nota 1000 da Cogna Educação, avalia que acompanhar os acontecimentos recentes pode ajudar os estudantes a desenvolver a discussão. O debate sobre o financiamento, a ampliação e a importância do SUS ganhou espaço nos últimos anos, especialmente durante a pandemia.
A especialista também chama atenção para a necessidade de selecionar os argumentos de acordo com o recorte apresentado na proposta e os textos motivadores da prova. Como o assunto permite diferentes abordagens, a organização das ideias é uma etapa importante para evitar que o texto perca o foco.
Redação representa 20% da nota do Enem
A redação corresponde a 20% da nota final do exame e deve ser produzida no formato dissertativo-argumentativo, com mínimo de oito e máximo de 30 linhas.
A correção considera cinco competências, cada uma com pontuação de até 200 pontos, totalizando mil. Entre os critérios estão o domínio da língua portuguesa, a compreensão do tema, a organização dos argumentos, a coesão textual e a apresentação de uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.
Os professores aguardam ainda a divulgação integral dos textos motivadores para avaliar com mais precisão os caminhos de desenvolvimento da proposta apresentada aos candidatos.







