O Ministério da Saúde confirmou a aquisição de 25 mil doses da vacina contra a mpox para reforçar o estoque estratégico do Sistema Único de Saúde (SUS). O acordo foi fechado após negociações com o laboratório dinamarquês responsável pela fabricação do imunizante, permitindo ampliar em 5 mil doses a oferta inicial de 20 mil unidades.
A previsão é que as vacinas sejam entregues ao Brasil nas próximas três semanas. A compra foi realizada por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
Segundo o Ministério da Saúde, os novos imunizantes serão incorporados à reserva nacional para atender às necessidades identificadas pelas secretarias estaduais e municipais. Até o momento, o governo já distribuiu 3.650 doses para nove unidades da Federação, entre elas Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
Escassez mundial dificulta aquisição de vacinas
A negociação ocorre em um cenário de oferta limitada no mercado internacional. Atualmente, a vacina contra a mpox é produzida por um único laboratório, localizado na Dinamarca e pré-qualificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cuja capacidade de fabricação é restrita.
Diante da dificuldade de ampliar o fornecimento, o Ministério da Saúde também publicou uma nota técnica orientando estados e municípios sobre a possibilidade de aplicação intradérmica do imunizante.
A estratégia, já adotada em países europeus, permite utilizar uma quantidade menor de vacina por aplicação e pode ampliar em até cinco vezes o número de pessoas imunizadas com a mesma quantidade de doses, em grupos específicos.
O armazenamento também exige cuidados. A vacina precisa permanecer congelada a -20°C e, depois de descongelada, deve ser aplicada em até quatro semanas. Por esse motivo, os estados solicitam novas remessas conforme a redução dos estoques disponíveis.
Brasil registra 832 casos em 2026
Dados do Ministério da Saúde mostram que o país confirmou 832 casos de mpox até 6 de novembro de 2026, além de um óbito.
Apesar dos registros deste ano, os números permanecem abaixo dos observados em 2022, quando o Brasil contabilizou aproximadamente 10,5 mil casos e 14 mortes. Na comparação entre os dois períodos, houve redução de 92,1% nas confirmações e de 92,9% nos óbitos.
As internações também diminuíram. Foram 54 registros em 2026, contra 254 em 2022, uma queda de 78,7%.
Em relação a 2025, quando foram contabilizados cerca de mil casos, duas mortes e 58 internações, o cenário atual apresenta redução de 16,8% nas notificações e de 6,9% nas hospitalizações.
O aumento mais recente das confirmações está concentrado principalmente nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará, além do Distrito Federal.
Quem pode receber a vacina contra mpox?
O SUS não realiza vacinação em massa contra a doença. A imunização é direcionada a grupos específicos considerados mais vulneráveis a complicações.
Entre os públicos prioritários estão:
- Pessoas vivendo com HIV/aids com contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células/mm³;
- Pessoas com HIV/aids e contagem de CD4 inferior a 200 células/mm³, conforme disponibilidade de doses;
- Usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP);
- Profissionais de laboratório que manipulam amostras do vírus.
Pessoas que tiveram contato de médio ou alto risco com casos suspeitos ou confirmados também podem receber a vacina, após avaliação da vigilância em saúde.
O esquema de imunização prevê duas doses, com intervalo de 28 dias. A vacinação não é realizada nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), mas nos Centros de Referência de Imunização.
Transmissão e prevenção
A mpox é transmitida principalmente pelo contato próximo com pessoas infectadas, especialmente por meio de lesões na pele, secreções corporais e objetos contaminados.
Entre os sintomas estão erupções cutâneas, febre, aumento dos gânglios linfáticos, dor de cabeça, dores musculares, calafrios e fraqueza.
O Ministério da Saúde recomenda evitar contato direto com pessoas que apresentem suspeita ou confirmação da doença, não compartilhar roupas, toalhas e lençóis e manter a higienização das mãos e de superfícies utilizadas com frequência.
Quem apresentar sintomas compatíveis ou tiver contato próximo com uma pessoa infectada deve procurar um serviço de saúde para avaliação e orientação.







