A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou oito casos de hantavírus relacionados ao surto registrado a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que navegava pelo Atlântico. Segundo a entidade, todos os diagnósticos identificados até agora envolvem a cepa Andes, considerada a única variante conhecida do hantavírus capaz de ser transmitida entre pessoas em situações de contato próximo e prolongado.
De acordo com o boletim mais recente divulgado pela OMS, até o dia 13 de maio foram contabilizados 11 casos no total, sendo oito confirmados, dois considerados prováveis e um inconclusivo. O surto também já provocou três mortes, duas delas confirmadas laboratorialmente como decorrentes da infecção.
Os novos registros foram identificados após o desembarque e repatriação de passageiros do cruzeiro em diferentes países. Entre os casos recentes está o de uma pessoa na França que apresentou sintomas durante o retorno ao país. Outro passageiro foi diagnosticado na Espanha após chegar ao território espanhol, embora permaneça sem sintomas. Um terceiro caso segue sob investigação nos Estados Unidos após resultado laboratorial inconclusivo.
A OMS acompanha o episódio em cooperação com autoridades sanitárias internacionais desde que os primeiros casos foram detectados entre passageiros e tripulantes do navio. O MV Hondius partiu de Ushuaia, na Argentina, no início de abril para uma expedição marítima que incluía regiões isoladas do Atlântico Sul.
Especialistas acreditam que o vírus tenha sido introduzido no navio por um passageiro contaminado antes do embarque, possivelmente após passagem por áreas endêmicas da Argentina ou do Chile, locais onde a cepa Andes circula naturalmente entre roedores silvestres.
Apesar da preocupação internacional, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nos últimos dias que ainda não há sinais de disseminação ampla da doença.
“Neste momento, não há indícios de que estejamos presenciando o início de um surto maior.”
As autoridades sanitárias seguem realizando rastreamento internacional de contatos, já que passageiros do navio viajaram para diversos países após o desembarque. Governos europeus, africanos e americanos monitoram pessoas que tiveram contato próximo com casos confirmados durante voos, estadias em hotéis e períodos de quarentena.
O hantavírus é uma doença rara transmitida principalmente pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. A variante Andes, identificada neste surto, é considerada incomum por também permitir transmissão entre humanos em determinadas circunstâncias. A doença pode provocar febre, dores musculares, dificuldade respiratória e, nos quadros mais graves, síndrome pulmonar grave com risco elevado de morte.
Até o momento, autoridades internacionais avaliam que o risco de disseminação em larga escala permanece baixo, embora novos casos ainda possam surgir nas próximas semanas devido ao período de incubação do vírus.







