Na última sexta-feira (04), foi inaugurado o Centro de Qualidade de Vida (CQV) localizado em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. O evento contou com o médico coordenador espaço, Dr. Fábio Viégas, a prefeita do município, Mariana Canella e autoridades locais.
Esta é uma iniciativa inédita no país para enfrentar um dos maiores problemas de saúde pública da atualidade: a obesidade. O local irá concentrar em um mesmo local prevenção, diagnóstico, tratamento clínico, acompanhamento multiprofissional e avaliação para cirurgia bariátrica e metabólica de pacientes com a doença.
Ao todo, serão atendidos no Centro – que conta quadra poliesportiva e academia – cerca de 800 pacientes por mês. A dimensão do desafio aparece nos próprios dados de acompanhamento nutricional dos moradores do município. Entre 55.581 adultos de Belford Roxo avaliados pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), 67,44% apresentavam excesso de peso, considerando o sobrepeso e os três graus de obesidade. São 37.373 pessoas nessa condição.

Do total de adultos avaliados, 18.026 (32,43%) apresentavam sobrepeso; 10.984 (19,76%), obesidade grau I; 4.531 (8,15%), obesidade grau II; e 2.832 (5,1%), obesidade grau III. Somados apenas os três graus de obesidade, são 18.347 adultos, ou 33,01% dos avaliados.
O cenário preocupa também entre os mais jovens. Dados do SISVAN referentes a 2025 mostram que, entre 19.858 adolescentes de Belford Roxo acompanhados, 3.913 (19,7%) apresentavam sobrepeso, 1.820 (9,17%) obesidade e outros 488 (2,46%) obesidade grave. Isso significa que 6.221 adolescentes — 31,33% dos avaliados — já apresentavam excesso de peso.
É justamente nesse ponto que está um dos diferenciais do novo CQV: crianças e adolescentes serão incluídos desde o início em uma linha específica de prevenção e tratamento da obesidade, permitindo identificar precocemente o ganho excessivo de peso e fatores de risco para doenças metabólicas. O objetivo é evitar que esses jovens cheguem à vida adulta já convivendo com problemas como diabetes tipo 2, hipertensão, alterações do colesterol e doença hepática metabólica.
O SISVAN é a plataforma oficial do Ministério da Saúde para consolidação de informações de vigilância alimentar e nutricional registradas na Atenção Primária. Os números representam, portanto, os moradores acompanhados e registrados pelo sistema e não a totalidade da população de Belford Roxo.
A prefeita do município, Marcella Canela, explica que a inauguração CQV é um marco histórico para a . “E esse centro integrado aqui é o primeiro centro integrado de controle e obesidade completo do país. A gente não vê esse centro integrado em nenhuma capital do Brasil, e a gente está vendo aqui em Belford Roxo, uma cidade da Baixada Fluminense. A gente vai ter aqui um atendimento multidisciplinar, tratamento medicamentoso, exames, tudo isso o paciente vai poder fazer aqui. Vai ter onde ele fazer a atividade física dele. Tudo isso em um só espaço”, explicou.
*Centro terá capacidade inicial para 6 mil novas avaliações por ano*
A criação do CQV em Belford Roxo vem ao encontro do que preconiza a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). A entidade defende que estados e municípios implementem os Centros de Tratamento da Obesidade (CTOS), unidades especializadas idealizadas em parceria com gestões públicas para otimizar o atendimento integral a pacientes com obesidade.
O cirurgião bariátrico Fábio Viegas, será o coordenador do serviço, que busca atingir 6 mil novos pacientes avaliados por ano , além do acompanhamento contínuo daqueles inseridos no programa. Com a consolidação do serviço, a estimativa é manter entre 2 mil e 3 mil pacientes ativos em acompanhamento longitudinal. Atualmente , 203 pacientes aguardam na fila da cirurgia bariátrica em Belford Roxo.
“Aqui, nós temos condições de tratar não só pacientes com obesidade mórbida, mas também crianças e adultos que estão com obesidade leve, moderada ou grave. Nós podemos tratar clinicamente os pacientes. Nós temos psicólogo, nutricionista, nutrólogo. Ou seja, aqui é um centro integrado de tratamento da obesidade. O nosso objetivo aqui não é só fazer cirurgia bariátrica, mas, antes de qualquer coisa, fazer a prevenção de uma doença que mata muita gente”, explica Viegas.
O público será dividido de acordo com o perfil e a complexidade de cada caso: crianças e adolescentes com excesso de peso, obesidade, ganho acelerado de peso ou fatores de risco metabólico; adultos com sobrepeso e doenças associadas; pacientes com obesidade graus I, II e III; e pessoas com obesidade grave ou complexa e múltiplas comorbidades.
A partir da avaliação, cada paciente será direcionado para a estratégia terapêutica mais adequada, envolvendo, conforme a necessidade, acompanhamento nutricional, psicológico e médico, atividade física, tratamento farmacológico ou avaliação para cirurgia bariátrica e metabólica.






