À beira-mar do balneário de Manguinhos, no município da Serra, a gastronomia capixaba ganha forma, sabor e narrativa. No espaço “Marias e Isaías”, dentro do Restaurante Maresias, visitantes são recebidos não apenas para uma refeição, mas para uma verdadeira imersão cultural.
Logo na chegada, o tom é dado pelo acolhimento — elemento considerado essencial na experiência. “Quando você sai de casa, quer no mínimo o bem-estar que tem em casa. Se não tiver isso, melhor nem sair”, resume a filosofia apresentada aos visitantes.
Moqueca capixaba: símbolo máximo da gastronomia local

Considerada a maior expressão gastronômica do Espírito Santo, a moqueca capixaba é apresentada não apenas como prato, mas como patrimônio cultural.
Diferente de outras versões pelo Brasil, a receita capixaba tem características muito próprias: não leva água, utiliza ingredientes 100% naturais e é preparada exclusivamente na panela de barro — elemento central da identidade do prato.
Entre os ingredientes estão tomate, cebola, alho, coentro, limão, azeite e óleo de urucum, além da proteína principal, que pode variar entre peixe, camarão, polvo, lula ou sururu.
“O segredo está na simplicidade e na qualidade dos ingredientes”, explicam os anfitriões.
A panela de barro: patrimônio e protagonista
Mais do que um utensílio, a panela de barro é um símbolo da cultura capixaba. Produzida artesanalmente pelas tradicionais paneleiras, a partir da argila retirada do Vale do Mulembá, ela é reconhecida como patrimônio imaterial.
Sua importância vai além da tradição: a panela atinge altas temperaturas e mantém o calor por mais tempo, garantindo um cozimento uniforme e potencializando os sabores.
Sem ela, afirmam os especialistas, não há moqueca capixaba autêntica.

Modo de preparo: técnica e precisão
O preparo segue um ritual específico. A panela aquecida recebe azeite e alho, seguidos por cebola e o molho base. A proteína é então adicionada e coberta com mais temperos e urucum.
O cozimento dura cerca de 10 minutos — tempo suficiente para que o caldo ferva e os sabores se integrem, sem a necessidade de adição de água.
O coentro, ingrediente marcante, é utilizado com equilíbrio. Em alguns casos, adaptações são feitas conforme o paladar do visitante, sem comprometer a essência do prato.
Muito além da moqueca: um panorama da culinária capixaba
A experiência vai além do prato principal. O visitante é apresentado a um verdadeiro panorama da gastronomia local, que inclui delícias como torta capixaba, casquinha de siri e arroz de polvo.
Outro destaque é a chamada “carne de duas horas”, uma releitura capixaba da carne de sol nordestina. Diferente da técnica tradicional, que pode levar até 48 horas de secagem, no Espírito Santo o processo dura entre duas e quatro horas, preservando a suculência da carne.
Arroz de polvo: tradição de família e técnica apurada
Entre os pratos que ganham protagonismo está o arroz de polvo, preparado pelo chef David Jesus Santos, responsável pela “Experiência de Moqueca Capixaba”.

Com 27 anos de trajetória na gastronomia, ele carrega uma herança familiar que passa pela avó e pela mãe, além de uma ligação direta com o mar.
“Eu conheço o polvo desde a essência, desde a casinha dele no mar até o cozimento”, explica.
O diferencial do prato está na combinação entre tradição e técnica: o polvo é cozido lentamente, em panela aberta, preservando textura e sabor. Em seguida, é incorporado ao arroz com base de vinagrete e temperos, finalizado com pedaços salteados na manteiga — o toque final que garante intensidade e equilíbrio.
Gastronomia como experiência e memória
A proposta do espaço vai além de servir pratos. Trata-se de contar histórias, valorizar tradições e criar conexões.
Entre explicações, degustações e interação com o público, a experiência transforma a refeição em um momento de aprendizado e encantamento — algo que se alinha perfeitamente com a proposta de fortalecimento do turismo no Espírito Santo.
Um convite ao sabor capixaba
Ao final da apresentação, mais do que responder perguntas sobre ingredientes ou técnicas, os visitantes levam consigo uma compreensão mais profunda da cultura local.
A moqueca capixaba, nesse contexto, deixa de ser apenas um prato e se consolida como símbolo de identidade, tradição e hospitalidade.
*O jornalista Rodrigo Souza integrou uma Press Trip ao Espírito Santo, realizada a convite do Sebrae/ES.







