O julgamento do caso Henry Borel ganhou novos desdobramentos nesta semana com o depoimento da pediatra Maria Cristina de Souza, que participou do atendimento do menino no Hospital Barra D’Or, no Rio de Janeiro. Durante o terceiro dia do júri popular de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e de Monique Medeiros, mãe da criança, a médica afirmou que Henry chegou à unidade hospitalar sem pulso e em estado considerado irreversível.
Segundo a profissional, o menino foi levado imediatamente para atendimento na madrugada de 8 de março de 2021, mas já não apresentava sinais vitais quando a equipe médica iniciou os procedimentos de emergência. “Henry já chegou à unidade sem pulso e estava tecnicamente morto”, declarou a pediatra durante o julgamento.
A médica explicou aos jurados que a equipe tentou reanimar a criança por um longo período, utilizando massagem cardíaca, aplicação de adrenalina e outros protocolos de emergência. De acordo com o depoimento, as tentativas se estenderam por quase duas horas.
Maria Cristina também relatou o momento em que o pai do menino, Leniel Borel, pediu aos médicos que continuassem tentando salvar a vida do filho. “Quando a equipe já avaliava encerrar o protocolo, encontramos Leniel. Ele pediu para que não desistíssemos de seu filho e continuamos”, afirmou.
Durante o depoimento, a pediatra disse ainda que observou diversos hematomas e marcas pelo corpo da criança. Segundo ela, havia lesões visíveis no tórax, abdômen, coxas e punhos de Henry.
O caso é julgado pelo 2º Tribunal do Júri, no centro do Rio de Janeiro, cinco anos após a morte do menino. Henry Borel morreu aos 4 anos de idade no apartamento onde morava com a mãe e o então padrasto, na Barra da Tijuca.
De acordo com o laudo do Instituto Médico-Legal, a criança sofreu 23 lesões provocadas por ação violenta, incluindo hemorragia interna e laceração no fígado. As investigações da Polícia Civil concluíram que Henry era vítima de agressões recorrentes.
Dr. Jairinho responde por homicídio qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual. Já Monique Medeiros é acusada de homicídio por omissão, além de outros crimes relacionados à investigação.
O julgamento segue com depoimentos de testemunhas, especialistas e interrogatórios dos réus. A expectativa do Tribunal de Justiça é que a sessão se estenda por vários dias devido à complexidade do caso e ao número de pessoas ouvidas durante o processo.







