O avanço da cooperação entre Brasil e China na área de inteligência artificial pode representar um passo importante para o fortalecimento da soberania digital brasileira. A avaliação foi feita por especialistas durante debates realizados na Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC), em Xangai, onde autoridades, pesquisadores e representantes do setor tecnológico discutiram os desafios da governança global e do desenvolvimento de tecnologias estratégicas.
Segundo os participantes, o cenário internacional exige que países ampliem sua capacidade de desenvolver infraestrutura própria para inteligência artificial, reduzindo a dependência de soluções controladas por empresas estrangeiras. Nesse contexto, a aproximação entre Brasil e China é vista como uma oportunidade para impulsionar investimentos em pesquisa, processamento de dados, computação em nuvem e desenvolvimento de modelos treinados em língua portuguesa e adaptados às necessidades nacionais.

Os especialistas destacaram que a soberania digital vai além da criação de ferramentas de inteligência artificial. Ela envolve o domínio sobre dados, infraestrutura tecnológica, centros de processamento e capacidade de formular políticas públicas capazes de garantir autonomia diante das transformações provocadas pela nova economia digital.
Durante o encontro, também foi ressaltado que a inteligência artificial passou a ocupar posição estratégica nas relações internacionais, tornando-se um dos principais temas da disputa tecnológica entre grandes potências. Nesse cenário, a cooperação internacional pode contribuir para acelerar a formação de capacidades nacionais sem comprometer a autonomia dos países envolvidos.
A participação brasileira na fundação da Organização Mundial para Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO), sediada em Xangai, foi apresentada como um dos marcos recentes dessa aproximação. A nova instituição tem como objetivo incentivar a cooperação internacional para o desenvolvimento e a aplicação da inteligência artificial de forma ética, segura, confiável e voltada ao benefício da sociedade.
Para os debatedores, o Brasil reúne condições favoráveis para ampliar sua presença nesse setor por contar com universidades, centros de pesquisa e profissionais qualificados. No entanto, afirmam que ainda são necessários investimentos consistentes em infraestrutura computacional, formação de especialistas e incentivo à inovação para que o país deixe de ser apenas consumidor de tecnologias desenvolvidas no exterior.
Outro ponto destacado foi a importância da adoção de modelos de código aberto e de iniciativas que permitam maior controle nacional sobre dados estratégicos e sistemas utilizados pelo setor público. A expectativa é que a cooperação tecnológica entre Brasil e China contribua para acelerar esse processo e ampliar a participação brasileira na definição das futuras regras internacionais para o desenvolvimento da inteligência artificial.
Ao longo dos debates, especialistas também defenderam que o fortalecimento da soberania digital deve caminhar ao lado de princípios como transparência, segurança, proteção de dados e uso responsável da inteligência artificial. A avaliação é que esses elementos serão fundamentais para garantir que o avanço tecnológico ocorra de forma sustentável e alinhada aos interesses públicos.
A aproximação entre Brasil e China na área tecnológica vem sendo ampliada nos últimos meses por meio de acordos de cooperação e iniciativas conjuntas voltadas ao desenvolvimento de inteligência artificial, computação em nuvem e transformação digital, reforçando a estratégia brasileira de ampliar sua capacidade tecnológica e reduzir a dependência de soluções externas.








