Bancários de todo o país realizam nesta quinta-feira (20) uma paralisação nacional de 24 horas. O movimento faz parte da Campanha Nacional dos Bancários de 2026 e envolve trabalhadores de instituições públicas e privadas. A mobilização ocorre enquanto representantes da categoria e dos bancos negociam um novo acordo trabalhista.
Entre as principais reivindicações estão aumento real dos salários, valorização dos pisos da categoria, reajustes nos vales-refeição e alimentação, participação nos lucros e resultados (PLR) e a criação de um piso salarial específico para trabalhadores da área de tecnologia da informação.
A paralisação foi convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) como forma de pressionar as instituições financeiras durante as negociações. De acordo com a entidade, até o momento os bancos não apresentaram uma proposta de índice de reajuste salarial. Uma nova rodada de negociação está prevista para segunda-feira (24).
Categoria cobra participação nos resultados
Os trabalhadores também utilizam os resultados financeiros do setor como argumento nas negociações. Segundo dados apresentados pela Contraf, os bancos registraram lucro de R$ 171 bilhões em 2025.
A entidade afirma ainda que o patrimônio líquido do sistema bancário chegou a R$ 1,2 trilhão no mesmo ano. Outro dado citado pelos bancários é o lucro anual de aproximadamente R$ 438 mil por empregado.
A participação nos lucros e resultados também está entre os pontos de discussão. Segundo a Contraf, os bancos privados chegaram a distribuir, em 1995, percentuais de PLR que alcançavam 14%. Em 2025, a média teria ficado em 5,9%.
“Não sairemos desta campanha sem a justa valorização dos bancários, que construíram o lucro de R$ 171 bilhões dos bancos em 2025, disse a coordenadora do Comando Nacional e presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro.
A dirigente considera a mobilização desta quinta-feira uma etapa importante para pressionar os bancos a apresentarem uma proposta capaz de avançar nas negociações.
Negociações seguem na próxima semana
A campanha salarial começou com reuniões entre representantes dos trabalhadores e das instituições financeiras. Segundo informações divulgadas pelos sindicatos, as negociações vêm ocorrendo desde julho.
Entre as propostas discutidas pelas instituições financeiras está um modelo de reajuste dividido em três faixas salariais, além da manutenção do piso de ingresso para novos trabalhadores. Os representantes dos bancários contestam a proposta e defendem avanços em salários, benefícios e condições de trabalho.
A paralisação de 24 horas ocorre justamente no momento em que a categoria busca pressionar a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) por uma nova posição nas negociações. Uma reunião entre as partes está marcada para segunda-feira (24), quando o movimento deverá ser um dos elementos considerados no andamento da campanha.







