O programa Esse Rio é Meu acaba de lançar uma nova plataforma digital voltada à educação socioambiental e à aproximação da população com os rios presentes em seus territórios. O portal reúne, em um único ambiente, informações sobre as bacias hidrográficas do Rio de Janeiro, São Gonçalo, São João de Meriti, Japeri e Queimados.
A iniciativa também cria um espaço para que moradores conheçam a história dos cursos d’água que atravessam seus bairros e participem do processo de identificação de rios que ainda não possuem nome reconhecido. A proposta inclui a possibilidade de sugerir nomes para esses cursos d’água.
O projeto chega em um período marcado pelo agravamento dos impactos relacionados à crise climática e pela discussão de políticas públicas em ano eleitoral. Nesse contexto, o programa coloca a educação socioambiental como instrumento para aproximar estudantes, professores e comunidades dos problemas ambientais existentes nos próprios territórios.
Com mais de 1.800 escolas envolvidas, o Esse Rio é Meu pretende transformar o portal em uma vitrine para as iniciativas desenvolvidas pelas comunidades escolares. A área de Destaque permitirá divulgar campanhas, projetos e ações voltadas à preservação dos rios de cada região.
Para Silvana Gontijo, idealizadora e coordenadora-geral do Planetapontocom, conhecer os rios próximos é uma maneira de fortalecer a relação dos moradores com o território.
“Os rios são a porta de entrada para compreendermos e enfrentarmos a urgência climática na atualidade. Quando um morador descobre, pela escola do seu bairro, o rio que passa perto da sua casa e conhece sua história, ele passa a se reconhecer nele e a defendê-lo. A escola acaba sendo a porta de entrada para o engajamento cidadão”, destaca Silvana.
Plataforma reúne informações sobre os rios
O novo portal permite consultar informações históricas e territoriais sobre os rios que passam pelos municípios participantes. A intenção é tornar esses dados acessíveis ao público e, ao mesmo tempo, mostrar os trabalhos realizados pelas escolas e comunidades.
A plataforma também apresenta conteúdos relacionados ao saneamento básico. A proposta é aproximar o tema da realidade cotidiana dos estudantes e moradores, mostrando a relação entre acesso à água tratada, coleta e tratamento de esgoto, saúde pública e preservação ambiental.
Nesse contexto, professores terão acesso a materiais pedagógicos que podem ser utilizados em atividades escolares. O saneamento passa a ser abordado a partir da realidade dos bairros e dos corpos d’água que fazem parte da vida das comunidades.
Escolas terão espaço para divulgar projetos
A participação das instituições de ensino ocupa posição central na nova plataforma. Professores e gestores poderão cadastrar experiências realizadas por suas comunidades escolares na área de Destaque.
Entre as ações que podem ser apresentadas estão projetos de reconhecimento dos rios locais, atividades de preservação e iniciativas voltadas à identificação de cursos d’água que ainda não possuem um nome oficialmente reconhecido.
A proposta também estimula a participação dos moradores. A comunidade pode procurar a escola do bairro, conhecer as atividades desenvolvidas pelos estudantes e compartilhar informações sobre os rios existentes na região.
A aproximação entre escola e comunidade busca ampliar o conhecimento sobre os corpos hídricos e criar vínculos que contribuam para sua conservação ao longo do tempo.
Além do espaço dedicado às iniciativas escolares, o ambiente digital contará com conteúdos específicos para educadores. Entre eles estão áreas de Formação Essencial, Formação Temática, Materiais Pedagógicos e a Biblioteca do Planeta, formando uma estrutura voltada à capacitação e ao desenvolvimento de atividades em sala de aula.
Os resultados dos projetos também poderão ser acompanhados pela Revistapontocom, publicação aberta do Planetapontocom. O veículo reúne reportagens sobre trabalhos realizados pelas escolas, entrevistas com gestores e professores, informações sobre os ciclos de formação e registros de iniciativas como o Prêmio Reconhecimento de Melhores Práticas do Esse Rio é Meu.
Professora relata mudanças na relação dos alunos com o território
A experiência de quem participa diretamente do programa também aparece como parte dessa construção. A professora Tânia Brasil, do GET CIEP Graciliano Ramos, em Jardim América, participa do Esse Rio é Meu desde 2023 e relata que o trabalho modificou a maneira como ela e os estudantes passaram a observar o rio localizado próximo à escola.
“Trabalho com o Esse Rio é Meu desde 2023, e essa experiência mudou completamente minha forma de olhar para o rio que fica perto da escola. Passamos a vivenciar o território, com visitas periódicas ao Rio dos Cachorros, e os alunos se tornaram protagonistas do próprio aprendizado: observam os problemas, propõem soluções e levam esse conhecimento para outras turmas. Tivemos ainda a oportunidade de participar da GLOCAL, em 2023, e do Seminário das Águas, no Museu do Amanhã, este ano — experiências que fortaleceram o pertencimento dos estudantes ao lugar onde vivem. No meu caso, a transformação foi pessoal: sou formada em Matemática, e foi essa vivência que me motivou a buscar uma pós-graduação em Educação, Meio Ambiente e Sustentabilidade”, conta Tânia Brasil, professora do GET CIEP Graciliano Ramos, em Jardim América.
Com a nova plataforma, o Esse Rio é Meu amplia o acesso às informações sobre os rios dos municípios participantes e cria um espaço permanente para divulgar o que vem sendo desenvolvido pelas escolas. A proposta é fazer do conhecimento sobre o território uma ferramenta de participação comunitária e de cuidado com os recursos hídricos.







