A cobrança de imposto sobre compras internacionais de pequeno valor, popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”, gerou impactos significativos na economia brasileira, segundo levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria. A entidade estima que a medida contribuiu para preservar cerca de 135,8 mil empregos no país, além de reduzir o volume de importações e fortalecer a produção nacional.
O estudo aponta que a taxação evitou a entrada de aproximadamente R$ 4,5 bilhões em produtos estrangeiros no mercado brasileiro, ao mesmo tempo em que manteve cerca de R$ 19,7 bilhões em circulação na economia interna.
Redução nas compras internacionais
A implementação da tarifa, que entrou em vigor em agosto de 2024, provocou uma queda expressiva no número de encomendas vindas do exterior. Dados analisados pela entidade mostram que o volume de remessas caiu 10,9% entre 2024 e 2025, passando de 179,1 milhões para 159,6 milhões de pacotes.
Sem a cobrança, a projeção era de que o país teria recebido mais de 205 milhões de encomendas no período, o que indica o impacto direto da medida no comportamento de consumo e no fluxo de importações.
A retração foi ainda mais intensa em análises de curto prazo: no primeiro semestre de 2025, a queda chegou a 23,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Arrecadação e impacto fiscal
Além de reduzir as importações, a medida também ampliou a arrecadação federal. Segundo a CNI, a receita com o imposto sobre essas compras saltou de R$ 1,4 bilhão em 2024 para R$ 3,5 bilhões em 2025, primeiro ano completo de vigência da regra.
Esse aumento está relacionado à nova sistemática de cobrança, que passou a ser feita no momento da compra, dificultando fraudes e práticas como subfaturamento e divisão de pedidos para escapar da tributação.
Equilíbrio na concorrência
De acordo com a entidade, um dos principais efeitos da chamada “taxa das blusinhas” foi a redução da concorrência considerada desigual entre produtos nacionais e importados. Antes da mudança, itens estrangeiros de baixo valor frequentemente entravam no país com carga tributária reduzida ou irregular, enquanto produtos brasileiros eram integralmente taxados.
Com a nova regra — que estabelece alíquota de 20% para compras de até US$ 50 dentro do programa Remessa Conforme — houve maior equilíbrio nas condições de mercado, especialmente para setores como o têxtil e o varejo.
Geração de renda e proteção da indústria
Para a CNI, o principal objetivo da política não é penalizar o consumidor, mas proteger a economia doméstica. A entidade defende que a medida contribui para manter empregos e estimular a produção nacional, ao reduzir a pressão exercida por produtos importados de baixo custo.
O levantamento também indica que a política ajudou a conter distorções no comércio eletrônico internacional, incentivando maior formalização das operações e ampliando o controle sobre mercadorias que entram no país.
Debate político continua
Apesar dos resultados apontados pela indústria, a medida segue em debate no cenário político. Enquanto setores produtivos defendem a manutenção da cobrança, argumentando que ela protege empregos e garante concorrência mais justa, há pressões para revisão ou até eliminação do imposto, especialmente por seu impacto direto no consumo popular.
A discussão deve ganhar ainda mais relevância nos próximos meses, diante do impacto econômico da medida e de seu peso nas decisões políticas relacionadas ao comércio exterior e ao consumo interno.
O estudo da CNI reforça que, independentemente do futuro da política, a taxação já produziu efeitos concretos na economia brasileira, influenciando desde o comportamento do consumidor até a dinâmica da indústria nacional.







