O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta quinta-feira (24) uma nova rodada de interrogatórios dos réus acusados de envolvimento na tentativa de golpe de Estado que buscava reverter o resultado das eleições de 2022. A partir das 9h, por videoconferência, estão sendo ouvidos os integrantes dos chamados núcleos 2 e 4 da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Entre os principais depoimentos estão os de Filipe Martins, ex-assessor de assuntos internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro, e Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Ambos são apontados como figuras centrais no planejamento das ações golpistas e integram o núcleo 2, responsável por articular medidas para sustentar a permanência ilegítima de Bolsonaro no poder.
Martins é acusado de apresentar ao então presidente um jurista que redigiu a minuta do golpe — documento que previa a decretação de estado de sítio ou estado de defesa. Já Vasques responde por ter supostamente ordenado operações da PRF no segundo turno das eleições de 2022 com o objetivo de dificultar o acesso de eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva às seções eleitorais no Nordeste.
Desinformação e ataques virtuais
Também serão ouvidos nesta fase os réus do núcleo 4, composto por militares e apoiadores civis acusados de promover desinformação e ataques virtuais a autoridades e instituições do Estado. A ofensiva digital, segundo a denúncia, foi parte do esforço para desacreditar o sistema eleitoral e legitimar uma eventual ruptura institucional.
Como estão na condição de réus, os acusados têm o direito de permanecer em silêncio diante dos questionamentos feitos por integrantes da PGR e do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Ainda não está definido se Moraes conduzirá pessoalmente os depoimentos ou delegará a tarefa a um juiz auxiliar.
Fase final da ação penal
Os interrogatórios representam uma das últimas etapas do processo criminal. A expectativa é que o julgamento — que definirá a condenação ou absolvição dos acusados — ocorra no segundo semestre deste ano. Os réus respondem por crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
A PGR dividiu a denúncia em quatro núcleos. O núcleo 1, que inclui o próprio Jair Bolsonaro e outros sete réus, já foi interrogado no mês passado e se encontra na fase de alegações finais, com julgamento previsto para setembro. Os interrogatórios dos réus do núcleo 3 estão agendados para a próxima segunda-feira (28).
Quem será ouvido nesta fase
Núcleo 2:
- Filipe Martins (ex-assessor de assuntos internacionais de Bolsonaro)
- Marcelo Câmara (ex-assessor do ex-presidente)
- Silvinei Vasques (ex-diretor da PRF)
- Mário Fernandes (general do Exército)
- Marília de Alencar (ex-subsecretária de Segurança do DF)
- Fernando de Sousa Oliveira (ex-secretário-adjunto de Segurança do DF)
Núcleo 4:
- Ailton Gonçalves Moraes Barros (major da reserva do Exército)
- Ângelo Martins Denicoli (major da reserva)
- Giancarlo Gomes Rodrigues (subtenente)
- Guilherme Marques de Almeida (tenente-coronel)
- Reginaldo Vieira de Abreu (coronel)
- Marcelo Araújo Bormevet (policial federal)
- Carlos Cesar Moretzsohn Rocha (presidente do Instituto Voto Legal)







