Em um cenário onde o consumo consciente e a valorização da origem ganham cada vez mais espaço, a Selah surge como uma proposta que vai além do chocolate. A marca capixaba aposta no conceito “bean to bar” — do grão à barra — para entregar ao consumidor um produto que carrega identidade, rastreabilidade e, sobretudo, propósito.

A ideia central é simples, mas poderosa: assim como o vinho, o cacau também possui terroir. Ou seja, características únicas influenciadas pelo solo, clima e manejo.
“É possível utilizar a mesma receita com diferentes tipos de cacau e obter sabores completamente distintos”, explicam os fundadores.
Do produtor à barra: uma cadeia valorizada
Um dos pilares da Selah está na relação direta com os produtores. A marca prioriza parcerias sustentáveis e justas, reconhecendo o papel essencial do agricultor na qualidade final do chocolate.
“A responsabilidade pela qualidade é compartilhada, mas o produtor tem um papel fundamental. Já garantimos, inclusive, o pagamento acima do mercado para manter essa parceria e valorizar quem está na origem”, destacam.
Enquanto o cacau commodity pode alcançar valores significativamente mais baixos, a Selah já chegou a pagar até R$120 por quilo, reforçando o compromisso com matéria-prima de excelência.

Produção artesanal e rigor técnico
O processo de produção segue um padrão rigoroso, que começa ainda na seleção dos frutos. Apenas cacaus no ponto ideal de maturação são utilizados, evitando sabores indesejáveis.
Após a colheita, as amêndoas passam por etapas fundamentais como fermentação, secagem, torra e refino — cada uma responsável por desenvolver aromas e sabores complexos.
“É na fermentação que o chocolate começa a ganhar identidade. Depois, na torra e no refino, transformamos o que era bruto em algo delicado, com textura e brilho”, explicam.
O cuidado é tão detalhado que cada safra pode apresentar notas sensoriais diferentes. Um chocolate pode trazer nuances de laranja, enquanto outro, do mesmo produtor, revela frutas vermelhas — reflexo direto do terroir.
Um mercado em expansão no Brasil

Apesar de ainda recente no país, o movimento “bean to bar” cresce de forma consistente. No Brasil, as primeiras marcas surgiram por volta de 2014, e hoje o segmento já conta com produtores premiados e reconhecimento internacional.
A Selah, mesmo com pouco mais de um ano de fábrica, já busca esse espaço, com inscrições em concursos internacionais e foco na excelência. “Nosso objetivo é trabalhar com chocolates de alta concentração de cacau, como 80%, que destacam ainda mais a qualidade do grão”, afirmam.
Mais que produto, uma história de resiliência
Por trás da marca, existe uma trajetória marcada por desafios pessoais e recomeços. Entre perdas familiares, dificuldades durante a pandemia e decisões difíceis, os fundadores encontraram no chocolate uma forma de recomeçar.
“Chegou um momento em que decidimos parar tudo e simplificar. Foi aí que surgiu a ideia da fábrica. ‘Selah’ significa pausa, reflexão. E foi exatamente isso que vivemos”, contam.
A produção limitada reforça o caráter exclusivo do produto, com edições sazonais que valorizam cada safra.
Qualidade que começa no rótulo
Para o consumidor, entender o que está comprando é essencial. A marca alerta para a diferença entre chocolates industriais e os de origem.
“Se no rótulo aparece ‘aromatizante de baunilha’, por exemplo, já é um indicativo de que não é um chocolate de alta qualidade”, explicam.
Além disso, o controle rigoroso reduz impurezas a níveis mínimos, garantindo um produto mais puro e fiel ao cacau.
Espírito Santo como território do chocolate
Inspirada pela própria região, a Selah reforça o potencial do Espírito Santo também na produção de chocolates premium. Com clima favorável, beleza natural e crescente demanda por produtos diferenciados, o estado se consolida como um novo polo do segmento.
Mais do que uma barra de chocolate, a Selah entrega uma narrativa: do campo à fábrica, da pausa ao recomeço, do cacau ao sabor. Uma experiência que convida o consumidor a desacelerar — e sentir.
O Salão Capixaba de Turismo é realizado pela Cooptures, em parceria com o Sebrae/ES e a Secretaria de Estado do Turismo. O evento conta ainda com o apoio do Contures e da Câmara Empresarial de Turismo da Fecomércio-ES. A participação é exclusiva para profissionais do setor e requer credenciamento prévio.







