Em meio à retomada e reposicionamento do turismo capixaba no cenário nacional, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae-ES) tem assumido um papel central na estruturação do setor.

Em entrevista exclusiva, o superintendente da instituição Pedro Rigo detalhou como a atuação estratégica dentro da ESTour — evento que reúne jornalistas, influenciadores e operadores do turismo — tem impulsionado o desenvolvimento sustentável e a competitividade do estado.
Segundo ele, a principal missão do Sebrae-ES é garantir que o Espírito Santo esteja preparado para receber o mercado turístico com qualidade e organização. “O papel do Sebrae na ESTour é organizar a cadeia produtiva do turismo para que a gente possa ter, de fato, produtos estruturados e empreendedores preparados para receber o trade nacional, operadores e agentes de viagem”, afirmou.
A atuação vai além da promoção. A instituição também investe na qualificação dos pequenos negócios e no fortalecimento da governança do setor. “Temos um papel fundamental de capacitar os empreendedores e organizar a governança. Sem isso, até podemos evoluir, mas não com a velocidade e a qualidade que desejamos”, completou.
Preparação e qualidade como diferencial competitivo

Um dos principais focos do Sebrae-ES está na preparação dos pequenos empreendedores para transformar potencial em produto turístico competitivo. De acordo com o superintendente, a entrega de qualidade é determinante para o sucesso do destino.
“O papel fundamental do Sebrae é preparar os empreendedores para que eles ofereçam um bom equipamento, um bom serviço e, consequentemente, um bom produto turístico”, destacou.
Essa preparação se torna ainda mais relevante diante do aumento da visibilidade do estado, impulsionado pela presença de jornalistas e influenciadores durante a ESTour. Para o gestor, esse movimento tem impacto direto nos negócios locais.
“O turismo é feito de encantamento e de expectativa. Vocês têm um papel essencial de comunicar aquilo que conhecem e apreciam. Essa comunicação amplia o alcance das nossas riquezas e fortalece a imagem do Espírito Santo para todo o Brasil”, afirmou.
Desafios: crescer sem perder a essência
Apesar dos avanços, o crescimento do turismo no Espírito Santo traz desafios importantes. Entre eles, está o equilíbrio entre aumento do fluxo de visitantes e preservação da qualidade de vida local.
“Hoje temos um estado preparado, com boa infraestrutura e gestão organizada. O desafio agora é aumentar o fluxo turístico com qualidade, sem perder nossa maior riqueza, que é a qualidade de vida do capixaba e o turismo sustentável”, pontuou.
Integração da cadeia e experiência completa
A integração entre diferentes segmentos — como hospedagem, gastronomia e experiências — também está no centro da estratégia do Sebrae-ES. A proposta é construir um ecossistema turístico coeso, capaz de oferecer roteiros completos e memoráveis.
“O nosso papel é organizar todos esses elementos dentro da cadeia produtiva, para que se complementem. No final, queremos oferecer bons roteiros, aumentar a permanência do turista e garantir uma experiência equilibrada e encantadora”, explicou.
Legado da ESTour e projeção nacional
Mais do que um evento pontual, a ESTour é vista como um catalisador de oportunidades. A expectativa é que os resultados ultrapassem os dias de programação e se traduzam em negócios concretos no futuro.
“A ESTour é o momento de conexão. A partir dela, jornalistas, agentes e operadores voltam mais preparados e empolgados para vender o Espírito Santo. Tudo que foi construído até aqui permanece como base para atender a demanda que virá”, ressaltou.
Agroturismo e imersão cultural: o exemplo de Venda Nova

A entrevista foi realizada em Venda Nova do Imigrante, reconhecida como a capital nacional do agroturismo, mais especificamente no distrito turístico de Pindobas, onde está localizado o projeto “Casa Nostra” — uma iniciativa que resgata a cultura italiana na região.
O espaço oferece uma experiência imersiva que vai além da contemplação. “Aqui é um pedacinho da Itália. O turista não só conhece a história, mas vive essa experiência na prática, colocando a mão na massa”, descreveu.
Entre as atividades, estão o preparo de receitas típicas e vivências do cotidiano rural. “É fazer pão, biscoito, polenta, moer café, descascar milho. Tem gente que nunca viu isso de perto. Aqui, ele vive essa experiência e sai encantado”, contou.
Convite ao Brasil
Com a retomada do Salão do Turismo do Espírito Santo, o estado se reposiciona de forma mais ousada no mercado nacional, reforçando seu potencial como destino turístico diversificado e autêntico.
“O salão vem em um formato mais inovador, para dialogar com o trade nacional e mostrar que o Espírito Santo está pronto para receber turistas de todo o Brasil”, concluiu o superintendente, deixando um convite aberto para que visitantes descubram as experiências únicas que o estado tem a oferecer.







