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O Rock The Mountain inicia sua edição de 2026, nesta sexta-feira (30), com a previsão de neutralizar cerca de 2,3 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) geradas durante a realização do festival. A iniciativa é resultado de uma parceria com a Gás Verde, considerada a maior produtora de biometano da América Latina, e contempla os seis dias de programação, divididos em dois fins de semana, além dos períodos de montagem e desmontagem da estrutura.
O evento será realizado em Itaipava, distrito de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, nos dias 30 e 31 de outubro e 1º de novembro, com continuidade em 7, 8 e 9 de novembro. Pelo terceiro ano consecutivo, a organização utiliza certificados de garantia de origem do biometano para fundamentar a neutralização das emissões associadas ao festival.
O mecanismo adotado é o GOGas, certificado que comprova a origem renovável do combustível produzido pela Gás Verde em sua unidade instalada no aterro sanitário de Seropédica, na Região Metropolitana do Rio. A iniciativa busca relacionar a realização de grandes eventos culturais ao uso de fontes energéticas renováveis e a estratégias de redução do impacto ambiental.
O volume definitivo de emissões referente a 2026 será divulgado após o encerramento do festival. O cálculo terá como base o inventário elaborado pela Boomerang Soluções Ambientais, consultoria responsável pela agenda de sustentabilidade do Rock The Mountain.
Festival mantém compromisso ambiental pelo terceiro ano
A parceria entre o festival e a Gás Verde começou em 2024, quando foram neutralizadas 2.577 toneladas de CO₂ ao longo de cinco dias de programação. No ano seguinte, o volume chegou a aproximadamente 2,3 mil toneladas, considerando seis dias de atividades e os períodos de preparação e desmontagem da estrutura.
A continuidade do projeto acompanha o esforço da organização para incorporar medidas ambientais a diferentes etapas da produção. Entre as principais fontes de emissões de um evento desse porte estão o consumo de energia e o deslocamento do público, dos artistas e das equipes envolvidas na operação.
Nesse contexto, os certificados de origem do biometano funcionam como um instrumento para comprovar a produção de combustível renovável e fundamentar iniciativas voluntárias de neutralização. A ferramenta também pode ser utilizada por organizações que ainda enfrentam dificuldades para substituir completamente as fontes de energia empregadas em suas atividades.
Para Marcel Jorand, CEO da Gás Verde, a parceria demonstra como os instrumentos ligados à transição energética podem ser aplicados em setores além da indústria.
“Uma iniciativa como a do Rock The Mountain mostra como os certificados de biometano podem aproximar a transição energética de atividades que mobilizam milhares de pessoas. Ao apoiar o festival pelo terceiro ano consecutivo, a Gás Verde contribui para que a sustentabilidade faça parte do planejamento do evento e demonstra como soluções renováveis podem ser incorporadas a diferentes setores”, afirma Marcel Jorand.
Ricardo Bräutigam, sócio-criador do Rock The Mountain, também destacou a continuidade das ações ambientais e a intenção de ampliar o alcance das práticas sustentáveis adotadas na produção.
“Nosso objetivo é fazer do Rock The Mountain um festival verdadeiramente sustentável e uma referência para o setor no Brasil. A conquista do selo ISO já representa um reconhecimento internacional do trabalho que estamos desenvolvendo há anos para incorporar a sustentabilidade a todas as etapas do evento. A parceria com a Gás Verde, pelo terceiro ano consecutivo, reforça esse compromisso e mostra que é possível unir música, cultura e responsabilidade ambiental, buscando soluções concretas para reduzir o impacto do festival. É assim que queremos construir o futuro dos festivais: com experiências cada vez mais conectadas às pessoas e ao planeta”, afirma Ricardo Bräutigam.
Lei dos Combustíveis do Futuro fortalece mercado de energia renovável
O uso dos certificados ocorre em meio ao avanço das políticas brasileiras voltadas à ampliação da participação de combustíveis renováveis na matriz energética. A Lei nº 14.993/2024, conhecida como Lei dos Combustíveis do Futuro, estabeleceu medidas para estimular esse mercado, incluindo metas de aquisição de biometano por produtores e importadores de gás natural fóssil e mecanismos de certificação de garantia de origem.
Esses instrumentos contribuem para documentar a procedência do combustível e ampliar a rastreabilidade das iniciativas ambientais. Com comprovação de origem e auditoria independente, os certificados também podem apoiar organizações que assumiram compromissos voluntários de descarbonização.
A adoção desse modelo pelo Rock The Mountain integra a estratégia de associar atividades culturais de grande porte a alternativas energéticas renováveis. A iniciativa considera que diferentes setores podem contribuir para a transição energética por meio de mecanismos compatíveis com suas operações.
Gás Verde produz 180 mil metros cúbicos de biometano por dia
A Gás Verde mantém duas unidades de produção em operação, localizadas em Seropédica, no Rio de Janeiro, e em São Paulo. Juntas, as instalações produzem atualmente 180 mil metros cúbicos de biometano por dia, fornecidos a empresas de diferentes segmentos da economia.
Entre os clientes citados pela companhia estão Ternium, Saint-Gobain, Haleon, Vesuvius, Nestlé, Henkel, Stellantis, Grupo L’Oréal no Brasil, Knauf, Ambev e Comlurb. O combustível é utilizado tanto em processos industriais quanto no abastecimento de veículos e frotas corporativas.
A empresa também desenvolve projetos específicos para reduzir as emissões associadas ao transporte. No caso do Grupo L’Oréal no Brasil, implantou um ponto de abastecimento dedicado ao biometano para os veículos que realizam o trajeto entre a fábrica e o centro de distribuição.
No Rio de Janeiro, cem caminhões da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) utilizam o combustível produzido a partir do aproveitamento de resíduos. O modelo cria um ciclo de economia circular no qual parte do lixo coletado na cidade é transformada em energia para abastecer os próprios veículos responsáveis pela limpeza urbana.
O biometano fornecido pela companhia também está disponível em cerca de 30 postos de combustíveis no estado fluminense. Por apresentar características que permitem sua utilização nas aplicações atendidas pelo gás natural, o combustível pode ser incorporado a estruturas já existentes, conforme as condições técnicas necessárias.
Companhia projeta ampliar capacidade até 2029
A estratégia de expansão da Gás Verde prevê elevar a capacidade de produção para 650 mil metros cúbicos diários até 2029, com a implantação de novas unidades em seis estados brasileiros. O plano busca ampliar a oferta de biometano para atender à demanda de empresas interessadas em reduzir as emissões de suas operações.
Além do combustível renovável, a companhia produz CO₂ verde a partir da corrente de biometano. O aproveitamento desse componente amplia as possibilidades de utilização dos recursos gerados no processo e está relacionado à proposta de economia circular da empresa.
Para Marcel Jorand, a participação do Rock The Mountain integra um movimento mais amplo de adesão de organizações a alternativas de menor impacto ambiental.
“A adesão voluntária do Rock The Mountain se soma ao movimento de empresas de diferentes setores que buscam alternativas para cumprir suas metas ambientais e mostra que a transição energética pode avançar por caminhos diversos”, conclui Marcel Jorand.
Com a renovação da parceria, o Rock The Mountain mantém a estratégia de neutralização das emissões pelo terceiro ano seguido. O resultado definitivo da edição de 2026 dependerá da conclusão do inventário ambiental, que permitirá dimensionar o volume total associado à realização do festival.







