A disputa pelo comando do governo de Israel segue indefinida após as eleições parlamentares. Com a apuração ainda em andamento, os dois principais blocos políticos não conseguiram alcançar as 61 cadeiras necessárias para formar maioria no Parlamento, que possui 120 assentos. O resultado mantém em aberto tanto a possibilidade de permanência do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu quanto a tentativa de seus adversários de assumir o poder.
Os números parciais divulgados em 29 de outubro indicavam que, com 85% das urnas contabilizadas, a aliança de Netanyahu reunia 54 cadeiras. O grupo liderado pelo opositor Gadi Eisenkot aparecia com 49. A distribuição das vagas aponta para uma disputa que dependerá das negociações entre diferentes partidos, já que nenhum dos lados dispõe, até o momento, de apoio suficiente para governar sozinho.
Outro destaque da votação é o desempenho dos partidos árabes, que podem conquistar 17 assentos, um resultado recorde. O avanço dessas legendas abriu espaço para propostas de cooperação entre representantes judeus e árabes, embora a formação de uma aliança desse tipo encontre resistência entre setores da oposição israelense.
O líder de uma coalizão de esquerda com predominância árabe defendeu a construção de “uma verdadeira aliança judaico-árabe”, diante da possibilidade de os partidos árabes assumirem um papel decisivo na definição do próximo governo.
Resistência à participação de partidos árabes
Apesar da possibilidade de ampliar o apoio parlamentar, a aproximação entre os blocos enfrenta obstáculos políticos. A maior parte da oposição judaica descartou a formação de um governo com partidos liderados por palestinos. Durante a campanha, essas legendas foram alvo de acusações racistas, em um cenário de forte polarização política.
Netanyahu também adotou discursos que apresentavam os cidadãos palestinos de Israel como uma ameaça interna ao Estado. Após a votação, integrantes de seu partido passaram a acusar os partidos de maioria árabe de terem “roubado” as eleições.
O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, representante da extrema-direita israelense, também pediu a prisão de líderes dessas legendas e mencionou suspeitas de interferência estrangeira no processo eleitoral.
As acusações, porém, não foram acompanhadas de provas que sustentassem a existência de irregularidades. Tanto a polícia israelense quanto o comitê central responsável pelas eleições afirmaram que não há evidências de fraude eleitoral.
A disputa em torno da legitimidade do resultado aumenta a tensão política enquanto os partidos tentam definir os próximos passos para a formação do governo.
Negociações devem definir o futuro do governo
A apuração dos votos tem previsão de conclusão para sexta-feira, 30 de outubro. A publicação formal dos resultados oficiais está marcada para 4 de novembro.
Após a confirmação dos números, as forças políticas terão de negociar o apoio de outras legendas para alcançar a maioria parlamentar. O processo poderá envolver acordos entre partidos com diferenças ideológicas e divergências sobre a participação de representantes árabes em uma eventual coalizão.
A ausência de um bloco com maioria própria mantém o cenário eleitoral aberto e coloca as articulações políticas no centro da disputa. O resultado final das negociações determinará se Netanyahu conseguirá reunir apoio para continuar no cargo ou se a oposição encontrará uma composição capaz de assumir o governo.







