O governo do Quênia aprovou um pedido dos Estados Unidos para instalar uma estrutura de quarentena destinada a cidadãos norte-americanos expostos ao ebola no leste da África. A decisão acontece em meio ao crescimento do surto da doença na República Democrática do Congo e ao aumento da preocupação internacional com a disseminação do vírus.
Segundo autoridades norte-americanas ouvidas pela Reuters, a instalação será montada em uma base da Força Aérea na região de Laikipia, no centro do Quênia, e deve começar a operar nesta sexta-feira com capacidade inicial para 50 leitos.
A estrutura será usada para receber cidadãos dos Estados Unidos que tenham sido expostos ao vírus ou apresentem alto risco de infecção durante permanência em áreas afetadas pelo surto. O plano prevê tratamento e isolamento ainda no continente africano, evitando o transporte imediato de pacientes para território norte-americano.
O governo do presidente Donald Trump afirmou que a medida faz parte de uma estratégia preventiva para impedir a entrada do ebola nos Estados Unidos. Durante reunião de gabinete realizada nesta semana, o secretário de Estado Marco Rubio declarou: “Não podemos e não permitiremos que nenhum caso de Ebola entre nos Estados Unidos”.
De acordo com integrantes da administração norte-americana, a instalação foi planejada para oferecer atendimento rápido a cidadãos americanos infectados ou em observação, reduzindo o tempo de deslocamento e permitindo resposta médica imediata.
O projeto está sendo conduzido em conjunto pelo Departamento de Estado dos EUA, pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos e pelo Pentágono. Profissionais de saúde pública norte-americanos já começaram a ser mobilizados para atuar na operação.
O atual surto de ebola concentra-se principalmente na República Democrática do Congo, onde autoridades de saúde monitoram centenas de casos suspeitos. Dados divulgados por órgãos internacionais apontam mais de 900 ocorrências suspeitas e mais de 200 mortes em investigação relacionadas à doença. Uganda também confirmou casos da infecção.
A Organização Mundial da Saúde acompanha o avanço do surto e intensificou ações na região africana. O diretor-geral da entidade viajou ao Congo nesta semana para acompanhar as medidas de contenção e reforçar o apoio internacional.
Especialistas em saúde pública nos Estados Unidos criticaram a decisão do governo norte-americano de utilizar instalações fora do país. Segundo pesquisadores e ex-integrantes da resposta internacional ao ebola, os EUA já possuem hospitais especializados e estruturas altamente preparadas para o tratamento da doença em território americano.
Autoridades quenianas ainda não detalharam como será o funcionamento da unidade nem quais protocolos de segurança serão adotados para evitar riscos à população local. O país não possui casos confirmados de ebola até o momento.







