A pesquisadora e referência internacional em direitos da infância Zsuzsanna Rutai defendeu que crianças tenham direito a participar e opinar em decisões que as afetam diretamente — um princípio já previsto tanto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) quanto na Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, mas que ainda está longe de ser realidade.
Em visita ao Brasil, Zsuzsanna concedeu entrevista à Agência Brasil e afirmou que, mesmo 35 anos após a promulgação do ECA e da ratificação do tratado internacional por 196 países, “esse princípio não está estabelecido em todos os níveis onde deveria existir — da família às políticas públicas”.
Atualmente na organização Child Rights Connect, que apoia o Comitê da ONU responsável por monitorar a convenção, a pesquisadora apontou que nem mesmo democracias maduras conseguem garantir às crianças voz nos debates legislativos e sociais.
“Quando crianças se erguem em defesa dos próprios direitos humanos, defendem o direito de outras crianças ou de grupos adultos, não são levadas a sério. A sua posição, o seu direito de estar ali, também é questionada”, destacou.
Zsuzsanna lembrou que repressões podem ser sutis, como professores que punem alunos por se engajarem, aplicando provas extras ou prejudicando notas.
Educação como motor da mudança
Para a especialista, transformar o ambiente escolar é essencial para formar gerações empáticas, conscientes de seus direitos e do papel da democracia. Ela coordena o projeto-piloto Agora e o Futuro, em parceria com o Instituto Alana, para desenvolver um currículo de formação para crianças líderes em direitos humanos.
A iniciativa, em fase inicial no Brasil e com expansão prevista para Togo, Moldávia e Tailândia, vai priorizar métodos não formais e interativos para que crianças conheçam seus direitos e aprendam a defendê-los.
“ Se quisermos realmente deixar um legado, temos que erguer as próximas gerações”, concluiu.







