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Pesquisa de Stanford aponta melhora na aprendizagem após proibição de celulares nas escolas do Rio

Estudo registra avanço de 25,7% em Matemática e 13,5% em Língua Portuguesa na rede municipal carioca

RedaçãoPorRedação
4 de setembro de 2026
em Educação
Pesquisa De Stanford Aponta Melhora Na Aprendizagem Após Proibição De Celulares Nas Escolas Do Rio Renan Ferreirinha - Expresso Carioca

Foto: Reprodução/Internet

RESUMO

Uma pesquisa realizada pela Secretaria Municipal de Educação do Rio em parceria com a Universidade de Stanford aponta melhora significativa na aprendizagem dos estudantes após a proibição do uso de celulares nas escolas.

Os alunos apresentaram avanço de 25,7% em Matemática e 13,5% em Língua Portuguesa, resultado equivalente a aproximadamente um bimestre adicional de aprendizagem. O estudo ouviu 919 diretores, representando cerca de 90% da rede municipal de Ensino Fundamental.

Pesquisa De Stanford Aponta Melhora Na Aprendizagem Após Proibição De Celulares Nas Escolas Do Rio Renan Ferreirinha - Expresso Carioca
Renan Ferreirinha – Foto: Reprodução/Internet

A restrição foi implantada durante a gestão de Renan Ferreirinha como secretário municipal de Educação. Inicialmente limitada às salas de aula, a medida foi ampliada em 2024 e passou a proibir os aparelhos também durante recreios e intervalos.

O estudo, coordenado pelo pesquisador Guilherme Lichand, buscou identificar especificamente os efeitos da retirada dos celulares sobre o desempenho escolar. Os resultados apontaram impacto positivo na aprendizagem.

A experiência do Rio posteriormente serviu de referência para a Lei Federal nº 15.100/2025, que estabeleceu regras para o uso de celulares nas escolas de todo o país.

 



 

LEIA O ARTIGO COMPLETO

A decisão de retirar os celulares da rotina escolar produziu efeitos positivos sobre o desempenho dos estudantes da rede municipal do Rio de Janeiro. É o que aponta uma pesquisa realizada pela Secretaria Municipal de Educação em parceria com a Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

De acordo com o levantamento, os alunos apresentaram aumento de 25,7% na aprendizagem de Matemática e de 13,5% em Língua Portuguesa ao longo de 2024, primeiro ano em que a proibição dos aparelhos passou a valer de maneira mais ampla nas escolas municipais.

Os pesquisadores estimam que os resultados correspondem a aproximadamente um bimestre adicional de aprendizagem. O estudo foi coordenado por Guilherme Lichand, pesquisador da Graduate School of Education da Universidade de Stanford.

A pesquisa envolveu 919 diretores de escolas de ensino fundamental da rede municipal, número que representa cerca de 90% das unidades desse segmento. A metodologia utilizada procurou separar os efeitos provocados especificamente pela retirada dos celulares de outras mudanças que também poderiam interferir no desempenho dos estudantes.

Restrição começou antes da regra nacional

O Rio de Janeiro foi uma das primeiras grandes redes de ensino do país a adotar uma política ampla de restrição aos celulares.

A mudança começou com regras estabelecidas ainda em 2023, quando o município passou a limitar o uso dos aparelhos durante as aulas. A utilização ficou autorizada em situações relacionadas às atividades pedagógicas e mediante orientação dos professores.

No início de 2024, a Prefeitura do Rio ampliou a medida. A proibição passou a abranger também os recreios e os intervalos, fazendo com que os estudantes permanecessem sem acesso aos aparelhos durante todo o período escolar.

A política tinha como principal objetivo reduzir as distrações e criar um ambiente mais favorável à concentração dos alunos.

A experiência posteriormente serviu como referência para a discussão que resultou na Lei Federal nº 15.100, sancionada em 2025, estabelecendo restrições ao uso de celulares nas instituições de ensino de todo o Brasil, tanto na rede pública quanto na privada.

Pesquisa buscou medir efeito direto da proibição

Um dos diferenciais do estudo realizado em parceria com Stanford foi justamente a tentativa de identificar o impacto específico da retirada dos celulares sobre a aprendizagem.

Para isso, os pesquisadores acompanharam os resultados obtidos pelos estudantes ao longo dos diferentes períodos do ano letivo e utilizaram uma metodologia que permitiu comparar os efeitos da mudança com outros fatores que poderiam influenciar o desempenho escolar.

Os resultados indicaram uma relação positiva entre a restrição dos aparelhos e a evolução da aprendizagem.

Em Matemática, o crescimento calculado foi de 25,7%. Em Língua Portuguesa, o avanço chegou a 13,5%.

Segundo Guilherme Lichand, os resultados mostram que políticas desse tipo podem ter influência direta sobre o processo educacional.

“O estudo mostra que a política tem potencial para impulsionar a aprendizagem. Essa parceria permitiu analisar o uso de tecnologias em escolas de forma sistemática e discutir o tema no Brasil e no mundo”, destacou o pesquisador.

Diretores acompanharam mudança na rotina escolar

Além dos resultados acadêmicos, a pesquisa considerou informações fornecidas pelos gestores das escolas. A avaliação apresentada no levantamento aponta que a retirada dos celulares alterou a dinâmica dentro das unidades de ensino.

Com os aparelhos fora do alcance dos estudantes durante as atividades escolares, professores passaram a contar com um ambiente com menos interrupções provocadas por notificações, vídeos, jogos e redes sociais.

A mudança também alcançou os momentos de recreio. Ao deixar de utilizar os celulares nesses períodos, os estudantes passaram a ter maior interação presencial durante o intervalo.

A política, portanto, não ficou limitada ao momento das aulas. A intenção foi retirar o aparelho da rotina escolar durante todo o período em que os alunos permanecem na unidade.

Famílias também relatam mudanças

Os efeitos percebidos nas escolas também aparecem nos relatos de familiares.

Carla Nascimento, mãe de Arthur, estudante do 9º ano do Colégio Geo Reverendo Martin Luther King, contou que o filho já tinha restrições ao uso do celular, mas encontrava maneiras de acessar o aparelho de colegas.

“Eu já não deixava ele usar o celular na escola, mas muitas vezes acabava pegando o de um amigo para assistir vídeos. Agora, ele presta mais atenção nas aulas e já está tirando notas melhores”, revelou.

O relato ilustra uma das dificuldades enfrentadas pelas escolas antes da adoção de regras mais rígidas: mesmo quando determinado estudante não levava ou não utilizava seu próprio aparelho, poderia ter acesso ao celular de outro colega.

Ferreirinha defende política baseada em evidências

À época da implantação da política municipal, Renan Ferreirinha era secretário de Educação do Rio de Janeiro. Ele acompanhou a implementação das regras e defendeu a medida como uma forma de reduzir as distrações dentro das escolas.

Após a divulgação dos resultados da pesquisa, o então secretário destacou que os números confirmaram percepções observadas pelos profissionais da rede durante o período de implantação.

“Os dados comprovam aquilo que já vínhamos percebendo nas escolas: quando o celular deixa de ser uma distração, o foco na aprendizagem aumenta. A decisão de proibir o uso de celulares em sala de aula e durante os recreios foi baseada em evidências, e agora temos resultados concretos que mostram o impacto positivo dessa medida”, afirmou.

A experiência do Rio acabou ganhando alcance nacional. Em 2025, a legislação federal estabeleceu a restrição aos celulares nas escolas brasileiras, ampliando uma política que já vinha sendo aplicada pela rede municipal carioca.

Resultado coloca Rio no centro do debate nacional

Os números obtidos pelo estudo acrescentam dados concretos à discussão sobre o papel dos celulares no ambiente educacional.

A pesquisa aponta que a mudança não produziu apenas uma alteração na rotina das escolas, mas esteve acompanhada de avanços mensuráveis no aprendizado dos estudantes.

O crescimento de 25,7% em Matemática e 13,5% em Língua Portuguesa representa, segundo os pesquisadores, aproximadamente dois meses adicionais de aprendizagem.

A experiência também mostra como políticas educacionais implementadas localmente podem ser avaliadas por meio de pesquisas acadêmicas e posteriormente contribuir para debates em escala nacional.

No caso do Rio de Janeiro, a restrição aos celulares deixou de ser apenas uma mudança nas regras de comportamento dentro das escolas e passou a ser objeto de análise sobre seus efeitos no desempenho acadêmico.

Com a legislação federal em vigor, os resultados obtidos na rede municipal carioca também passam a integrar o debate sobre os impactos da presença dos dispositivos eletrônicos no cotidiano de milhões de estudantes brasileiros.

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Tags: EducaçãoNoticaisPesquisaRenan FerreirinhaStanford
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