A Avenida Paulista voltou a ser tomada por milhares de pessoas neste domingo (7) durante a realização da 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo. Considerada uma das maiores manifestações de diversidade do mundo, a celebração deste ano teve como principal foco a conscientização sobre a importância da participação política e do voto na defesa dos direitos da população LGBTQIA+.
Com o tema “30 Anos Parada SP: A rua convoca, a urna confirma”, o evento transformou o tradicional percurso entre a Avenida Paulista e a Praça da República em um espaço de mobilização social, reflexão e celebração. Uma grande urna cenográfica instalada ao longo da avenida simbolizou a proposta central da edição, que buscou relacionar a conquista de direitos à participação democrática.

A Parada deste ano marcou três décadas de história do movimento em São Paulo. A primeira edição ocorreu em 1996, na Praça Roosevelt, e desde 1997 passou a ocupar a Avenida Paulista, tornando-se uma referência internacional na luta pelos direitos civis da população LGBTQIA+. Ao longo desses anos, temas como união estável entre pessoas do mesmo sexo, adoção por casais homoafetivos, identidade de gênero, doação de sangue e combate à LGBTfobia passaram pelo debate público promovido pelo evento antes de avançarem em decisões judiciais e políticas públicas.
Representantes da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP) destacaram que a edição comemorativa foi planejada para reforçar a necessidade de participação cidadã nos processos eleitorais e legislativos. Segundo a organização, muitas das conquistas obtidas nas últimas décadas ainda dependem de avanços na legislação para garantir maior segurança jurídica à população LGBTQIA+.
Além da mobilização política, o evento contou com apresentações artísticas e a participação de nomes conhecidos da música e do entretenimento. Entre os artistas presentes estiveram Pabllo Vittar, Gloria Groove, Urias, Pepita, Diego Martins, Melody e MC Soffia, entre outros convidados que animaram os trios elétricos ao longo do percurso.
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, também participou da manifestação. Durante o evento, ela destacou iniciativas do governo federal voltadas à promoção dos direitos da população LGBTQIA+, incluindo programas de inclusão social, combate à violência e ampliação do acesso a políticas públicas.
A secretária nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, Symmy Larrat, ressaltou ações desenvolvidas em parceria com órgãos de segurança e justiça para aprimorar a produção de dados oficiais sobre violência contra essa população, com o objetivo de fortalecer políticas de prevenção e acolhimento às vítimas.
Apesar da grande participação popular, a edição de 2026 foi realizada em meio a desafios financeiros. Segundo os organizadores, houve uma redução de cerca de 60% na receita proveniente de patrocínios em comparação aos anos anteriores. O impacto foi percebido na estrutura do evento, que contou com 14 trios elétricos, número inferior ao registrado em edições recentes. Ainda assim, a organização manteve a programação e garantiu a realização das atividades previstas para a celebração dos 30 anos da Parada.
Ao completar três décadas de existência, a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo reafirmou seu papel como espaço de mobilização social, visibilidade e reivindicação de direitos. A edição de 2026 reforçou a mensagem de que a participação política continua sendo considerada pelos organizadores um instrumento fundamental para a construção e manutenção de políticas públicas voltadas à igualdade, à cidadania e ao combate à discriminação.







