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O que para muitos jovens era apenas o sonho de conhecer o Rock in Rio acabou se transformando em uma experiência prática de formação profissional. No sábado (5), 26 alunos do Favela Hope, projeto social da ONG Favela Mundo, estiveram na Cidade do Rock a convite da Ipiranga e aproveitaram a passagem pelo festival para colocar em prática conhecimentos adquiridos em cursos de audiovisual.
Com câmeras e celulares nas mãos, os jovens registraram diferentes momentos da programação e tiveram a oportunidade de observar, na prática, como funciona a produção de conteúdo em um dos maiores eventos de entretenimento do país.
A experiência permitiu que os alunos exercitassem técnicas de fotografia e narrativa audiovisual em um ambiente que reúne grandes shows, estruturas de palco, ativações de marcas e milhares de pessoas. A proposta foi transformar a visita em uma espécie de aula a céu aberto, aproximando a formação oferecida pelo projeto das situações encontradas no mercado profissional.
Para alguns participantes, porém, a experiência também representou a primeira oportunidade de conhecer o festival como público.

Depois de cinco edições trabalhando, finalmente como público
É o caso de Bella Frazão, moradora da ocupação Deus nos Abençoe, em São Cristóvão. Esta foi sua sexta vez no Rock in Rio, mas, até então, ela havia participado das edições anteriores trabalhando na cozinha dos estandes.
Desta vez, a jovem pôde experimentar o festival de outra maneira: assistindo aos shows, circulando pela Cidade do Rock e aproveitando as atrações.
“É minha sexta vez aqui, mas nunca consegui assistir aos shows, participar das ativações, sentar no gramado e apenas relaxar. É um sonho viver isso tudo! Agora a experiência está completa. O mais legal é que além de curtir eu estou colocando em prática o que aprendi no curso de fotografia”, contou.
Além de vivenciar o evento como espectadora, Bella aproveitou a oportunidade para produzir imagens e aplicar conhecimentos técnicos adquiridos durante sua formação.
Sonho realizado e câmera na mão
Para outros participantes, a ida ao Rock in Rio representou o primeiro contato com o festival.
Morador de Cascadura, Pedro Carlos Pinto contou que sempre teve ligação com o rock, mas nunca havia estado na Cidade do Rock.
“Foi o melhor dia da minha vida! Nunca tinha ido ao Rock in Rio e sempre curti rock. Eu acho que nunca curti tanto quanto nesse dia”, afirmou.
A experiência também ganhou um significado especial para Paulo Henrique de Souza, morador de Japeri. Além de realizar um sonho pessoal, ele teve a oportunidade de utilizar a fotografia em um ambiente profissional e de grande dimensão.
“Minha família, que é bem humilde, está muito feliz por eu ter realizado esse sonho. Sempre quis, mas às vezes é algo distante da realidade de muitas famílias. E eu tô aqui como convidado e praticando o que amo que é a fotografia”, relatou.
Audiovisual como caminho para o mercado de trabalho
Criado em 2013, em Vargem Grande, o Favela Hope surgiu a partir de uma parceria com a Brigham Young University (BYU), universidade privada dos Estados Unidos. O projeto é desenvolvido pela ONG Favela Mundo e trabalha com formação, educação, cultura e inclusão social para jovens e adultos.
A iniciativa tem entre seus objetivos ampliar as possibilidades de acesso ao mercado de trabalho, utilizando a capacitação profissional como uma das ferramentas de transformação social.
A participação no Rock in Rio segue essa proposta ao levar os alunos para um ambiente de produção real. Em vez de apenas aprender técnicas em sala de aula, os participantes puderam lidar com situações que fazem parte do cotidiano de quem trabalha com fotografia e audiovisual: escolha de enquadramentos, identificação de momentos relevantes, registro de acontecimentos e construção de uma narrativa a partir de imagens.
O resultado é uma experiência que une formação profissional e acesso à cultura, permitindo que os jovens ocupem um espaço que, para muitos deles, antes parecia distante.
O Favela Hope conta com patrocínio da Ipiranga, da Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, além de Iconic e Parque Bondinho Pão de Açúcar, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei do ISS).
A iniciativa também está alinhada a diferentes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas, especialmente aqueles relacionados à redução das desigualdades, educação, trabalho decente, igualdade de gênero e fortalecimento de instituições inclusivas.
Na Cidade do Rock, a câmera virou instrumento de aprendizado e registro. Para os 26 participantes, a experiência deixou de ser apenas uma visita a um grande festival e passou a representar uma oportunidade de enxergar, na prática, possibilidades profissionais dentro do universo audiovisual.







