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Entre os shows e as grandes ativações da Cidade do Rock, o público do Rock in Rio 2026 encontra uma experiência que propõe uma relação diferente entre música, tecnologia e natureza. O ECCO by LightWire, criado especialmente para o festival e com patrocínio principal da Vale, ocupa uma arena na Cidade do Rock com uma apresentação imersiva em 360 graus. A atração combina dança, luz, som, tecnologia, movimento, aromas e elementos inspirados na natureza.
A proposta parte de uma ideia simples, mas que ganha dimensões grandiosas no palco: a floresta como uma das origens do som. Vento, água, raízes e fogo servem como referências para uma narrativa que busca aproximar elementos ancestrais da tecnologia contemporânea. A partir dessa combinação, o espetáculo transforma movimentos, imagens e sons em uma experiência visual que envolve o público.
Por trás do resultado está a LightWire, empresa criada pelos idealizadores do projeto, que desenvolveram uma linguagem na qual os próprios bailarinos passam a fazer parte do conteúdo visual. O corpo deixa de ser apenas instrumento de dança e passa a funcionar também como extensão do cenário.
Quando o figurino ganha vida
Daniel e Felipe Almeida, idealizadores do ECCO, contam que a ideia nasceu a partir de experiências anteriores com interação entre bailarinos e conteúdos audiovisuais.

Daniel explica que os dois já atuavam no mercado corporativo, trabalhando com projetos técnicos, visuais e grandes formatos. Felipe atua na direção técnica, enquanto Daniel trabalha principalmente na área visual e na produção de conteúdos para eventos.
A experiência com bailarinos interagindo com conteúdos projetados levou a uma pergunta que acabou dando origem ao conceito da LightWire: seria possível fazer com que o próprio figurino recebesse o conteúdo e passasse a participar efetivamente da narrativa?
“Será que a gente não consegue fazer o conteúdo virar realmente para o figurino? Trazer vida para esse conteúdo no palco”, lembra Daniel.
A partir daí, começaram os testes para desenvolver uma tecnologia capaz de acompanhar os movimentos dos artistas sem limitar a performance.
O desafio, segundo os criadores, era evitar que a tecnologia transformasse os bailarinos em estruturas rígidas. A intenção era justamente o contrário: permitir que eles continuassem dançando livremente enquanto luzes e imagens respondessem aos movimentos.
“O maior segredo é vestir as bailarinas com tecnologia e não impedi-las de fazer os movimentos que elas precisam fazer, se entregar de verdade, para não virar um robô, virar um robô aceso interagindo com o conteúdo”, explica Daniel.
Mais de 20 bailarinos e milhares de pontos de luz
O resultado reúne mais de 20 bailarinos em cena, com coreografias sincronizadas aos conteúdos exibidos em um grande painel de LED. O espetáculo utiliza ainda efeitos sonoros em 3D para ampliar a sensação de imersão.
Os figurinos são parte fundamental dessa construção. O PixelWear incorpora mais de 1.500 pixels de LED controlados individualmente. Já o NewDress utiliza cerca de 1.000 metros de fibra óptica iluminada por LED, além de pontos luminosos distribuídos pelos braços e pelas pernas.

A precisão dos movimentos é essencial. Cada gesto precisa acontecer no instante correto para que a animação, a iluminação e a coreografia estejam alinhadas.
Em determinados momentos, os bailarinos se apresentam praticamente no escuro. Sem enxergar completamente o conteúdo ou mesmo os artistas ao redor, precisam executar os movimentos a partir de marcações e de uma rotina intensa de ensaios.
Para Felipe e Daniel, esse é um dos maiores desafios do projeto.
“Você tem um balé que dança no escuro totalmente. O tempo todo elas não conseguem a referência da bailarina que está do lado”, explica Felipe. “Elas não enxergam o conteúdo, então elas estão sempre na marcação e fazendo ensaio, ensaio, ensaio.”
Tecnologia para contar uma história ancestral
Apesar da quantidade de recursos tecnológicos empregados na montagem, o conceito do ECCO não nasceu da tecnologia. Segundo os idealizadores, a narrativa foi construída a partir dos elementos da natureza.
Água, fogo, vento e terra foram utilizados como pontos de partida para representar uma espécie de formação da natureza, criando uma narrativa que percorre diferentes estados e sensações.
“A gente sempre começa o conceito. Nesse caso, o conceito foram os elementos, água, fogo, o vento e a terra, para contar essa formação da natureza”, explica Daniel.
A construção contou ainda com a participação dos coreógrafos e co-criadores responsáveis pela dramaturgia e pelas coreografias.
O objetivo foi criar um contraste entre dois universos aparentemente opostos: a tecnologia de ponta e os elementos mais ancestrais do planeta.
“É muito delicado você falar de tecnologia e ao mesmo tempo falar de natureza. É um contraponto absurdo e essa foi a nossa meta, para conseguir trazer o que tem de mais tecnológico para falar de algo mais ancestral possível”, afirma Daniel.
Uma experiência aberta a diferentes interpretações
O espetáculo não pretende conduzir o público a uma única interpretação. Para os criadores, a experiência pode provocar sensações diferentes de acordo com o momento vivido por cada espectador.
A intenção é que a tecnologia seja utilizada como ferramenta para despertar uma percepção sobre a relação entre as pessoas e a natureza.
“Nós temos tecnologia e que tudo isso está aqui para que as pessoas se emocionem, para que as pessoas curtam e tudo mais”, resume Daniel.
A experiência também busca criar momentos de contemplação em meio à movimentação característica de um festival como o Rock in Rio.
O momento em que o projeto saiu do papel
Depois de meses de criação, testes, ensaios e montagem, os idealizadores tiveram a oportunidade de observar o público diante do espetáculo durante o primeiro fim de semana do festival.
A reação da plateia acabou se tornando uma das principais recompensas para a equipe.
“Gratidão. A gente falar de coração aberto e tranquilo, que a gente está muito feliz com o resultado”, afirma Daniel.
Segundo ele, mais do que reconhecer no palco aquilo que havia sido concebido durante o processo criativo, o que emocionou foi perceber que a mensagem estava chegando ao público.
“De ver que essa mensagem está sendo passada para o público, que as pessoas estão gostando, que as pessoas estão indicando as outras pessoas virem para cá, então para a gente é só gratidão”, completa.
ECCO pode ganhar novos caminhos depois do festival
Embora tenha sido criado especialmente para o Rock in Rio 2026, o futuro do espetáculo ainda não está definido. Questionados sobre a possibilidade de o ECCO continuar depois do festival, os idealizadores deixaram a porta aberta.
“Quem sabe, né? Quem sabe? Não sabemos ainda”, respondeu Daniel.
A expectativa é que novos projetos e possibilidades sejam anunciados posteriormente nas redes sociais da LightWire.
Enquanto isso, o ECCO segue em cartaz na Cidade do Rock durante os dias do festival. Com cinco sessões diárias, a atração transforma a arena em um espaço onde bailarinos, luz, som e tecnologia passam a funcionar como partes de um mesmo organismo.
A Vale, patrocinadora principal do espetáculo, também mantém presença no Rock in Rio 2026 com um estande imersivo, ampliando a abordagem da empresa sobre natureza, cultura, inovação e conservação ambiental. A parceria dá continuidade à presença da companhia em grandes eventos culturais, depois de iniciativas como o Amazônia Live e sua participação no The Town em 2025.







