A precariedade do acesso à internet e a dificuldade de identificação de conteúdos confiáveis estão entre os principais fatores que contribuem para a disseminação da desinformação no Brasil, segundo levantamento divulgado pela Coalizão Direitos na Rede. O estudo analisa hábitos de consumo de informação em comunidades periféricas, populações tradicionais e grupos socialmente vulneráveis.
De acordo com a pesquisa, limitações relacionadas à conectividade afetam diretamente a forma como parte da população acessa notícias e conteúdos digitais. Em muitos casos, usuários dependem exclusivamente de pacotes reduzidos de dados móveis e acabam consumindo informações apenas pelas plataformas e aplicativos liberados pelas operadoras, como redes sociais e serviços de mensagens.
O levantamento mostra que o celular é o principal meio de acesso à internet entre os entrevistados. Televisão, computador e rádio aparecem na sequência entre os dispositivos mais utilizados para consumo de informação. Apesar do crescimento das plataformas digitais, meios tradicionais e referências próximas da comunidade seguem sendo vistos como as fontes mais confiáveis de notícias.
Segundo os pesquisadores, a ausência de conteúdos produzidos a partir das realidades locais dificulta a identificação de informações confiáveis e aumenta a vulnerabilidade diante de notícias falsas. A avaliação é de que mensagens compartilhadas por pessoas conhecidas, lideranças comunitárias e comunicadores próximos da população costumam gerar mais confiança do que conteúdos genéricos distribuídos em massa.
A diretora da Coalizão Direitos na Rede, Thaís Brianezi, afirmou que o combate à desinformação passa também pela valorização das formas locais de comunicação.
“A confiança passa por relações, experiências e referências locais, e o jornalismo precisa dialogar com isso, em vez de ignorar”, afirmou.
O estudo destaca ainda que o problema não se resume à circulação de informações falsas, mas envolve desigualdades estruturais ligadas à educação midiática, inclusão digital e acesso à informação de qualidade. Pesquisas recentes apontam que pessoas com menor escolaridade e conexão limitada à internet apresentam mais dificuldade para identificar conteúdos enganosos nas redes sociais.
Outro dado apontado pela pesquisa mostra que influenciadores digitais aparecem entre as fontes menos confiáveis de informação para parte dos entrevistados, atrás de professores, lideranças locais, sites jornalísticos e até grupos de WhatsApp.
Entre as recomendações apresentadas pelos pesquisadores estão o fortalecimento da comunicação comunitária, incentivo à produção local de conteúdo e criação de materiais em formatos mais acessíveis, como áudios, vídeos curtos e conteúdos compartilháveis em aplicativos de mensagens. O objetivo é ampliar o alcance da informação em regiões onde o acesso à internet permanece limitado.
A pesquisa também defende maior investimento em educação midiática e políticas públicas voltadas ao enfrentamento da desinformação. Especialistas apontam que o avanço de conteúdos falsos nas redes sociais tem impacto direto sobre debates públicos, campanhas de saúde, processos eleitorais e confiança nas instituições.







