A inflação oficial do país apresentou desaceleração em abril, mas os preços dos alimentos e dos produtos de saúde continuaram pressionando o orçamento das famílias brasileiras. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o principal indicador inflacionário do país, registrou alta de 0,67% no mês, abaixo dos 0,88% verificados em março.
Mesmo com a redução no ritmo de crescimento dos preços, o acumulado da inflação em 2026 já chega a 2,60%. Nos últimos 12 meses, o índice atingiu 4,39%, permanecendo dentro do intervalo da meta estabelecida pelo governo federal.
O grupo Alimentação e Bebidas foi o principal responsável pela pressão inflacionária em abril, com avanço de 1,34% e impacto de 0,29 ponto percentual no IPCA. Entre os produtos que mais subiram estão o leite longa vida, com alta de 13,66%, a cenoura, que avançou 26,63%, além da cebola, tomate e carnes.
Especialistas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que fatores climáticos e aumento dos custos de produção influenciaram a alta dos alimentos. A redução das áreas de pastagem durante o período mais seco do ano elevou os gastos dos produtores com alimentação animal, impactando diretamente o preço do leite. Além disso, o aumento nos combustíveis também elevou os custos de transporte e distribuição de mercadorias.
Apesar da desaceleração geral do índice, a gasolina permaneceu como o item com maior peso individual sobre a inflação do mês. O combustível registrou alta de 1,86% em abril, respondendo sozinho por 0,10 ponto percentual do IPCA. O gás de botijão e a energia elétrica residencial também apresentaram aumento nos preços.
Outro setor que contribuiu para a inflação foi o de Saúde e Cuidados Pessoais, que teve elevação de 1,16%. O reajuste autorizado para medicamentos a partir de abril impulsionou os preços de produtos farmacêuticos, enquanto itens de higiene pessoal também registraram aumento relevante.
Na comparação regional, Goiânia apresentou a maior inflação do país no período, influenciada principalmente pelos reajustes da gasolina e das tarifas de água e esgoto. Já Brasília teve a menor variação entre as capitais pesquisadas, favorecida pela queda nas passagens aéreas e pela desaceleração nos preços dos combustíveis.
O levantamento do IBGE considera o custo de vida de famílias com renda mensal entre um e 40 salários mínimos e acompanha preços em diversas regiões metropolitanas e capitais brasileiras. O índice de difusão, que mede o espalhamento da inflação entre os produtos e serviços analisados, ficou em 65% em abril, abaixo dos 67% registrados em março.
Economistas avaliam que, apesar da desaceleração mensal, a inflação ainda exige atenção devido à persistente pressão sobre itens essenciais do consumo cotidiano, especialmente alimentação, saúde e combustíveis.







