Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) denunciaram que a desocupação da reitoria da instituição realizada pela Polícia Militar, na madrugada de domingo (10), ocorreu de maneira ilegal e com uso excessivo da força. Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE Livre da USP), a ação teria sido conduzida sem autorização judicial e resultou em feridos e detenções.
A ocupação do prédio havia começado na última quinta-feira (7), organizada por estudantes que reivindicam melhorias nas condições de permanência universitária e a retomada do diálogo com a administração da universidade. Entre as reclamações apresentadas pelos alunos estão problemas de infraestrutura na moradia estudantil, falta de água, presença de mofo nos alojamentos e denúncias sobre a qualidade da alimentação oferecida nos restaurantes universitários.
De acordo com o movimento estudantil, a operação policial começou por volta das 4h da manhã e contou com o uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes. Em nota pública, o DCE afirmou que diversos estudantes ficaram feridos durante a retirada e classificou a ação como “abusiva” e “marcada por ilegalidades”. A entidade também alegou que houve agressões físicas durante a operação.
Os estudantes sustentam que, mesmo em casos de reintegração de posse autorizada pela Justiça, existem normas que restringem operações desse tipo durante a madrugada. Segundo os manifestantes, a ação policial desrespeitou procedimentos previstos em decisões judiciais anteriores relacionadas a ocupações universitárias.
Em resposta às acusações, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a operação ocorreu em situação de flagrante delito e, por isso, não dependeria de autorização judicial para a retirada dos ocupantes. A pasta declarou que aproximadamente 50 policiais participaram da ação e afirmou que a desocupação foi concluída sem registro oficial de feridos.
Segundo o governo estadual, quatro pessoas foram encaminhadas ao 7º Distrito Policial, onde o caso foi registrado como dano ao patrimônio público e alteração de limites. Após serem identificados, os estudantes foram liberados. A secretaria também informou que toda a operação foi gravada pelas câmeras corporais utilizadas pelos agentes da Polícia Militar.
Ainda conforme a SSP, após a retirada dos estudantes foram identificados danos em estruturas da reitoria, incluindo portas de vidro quebradas, móveis danificados e avarias em equipamentos de acesso ao prédio. A pasta também afirmou que objetos perfurantes e entorpecentes teriam sido encontrados no local.
A ocupação reacendeu discussões sobre segurança pública, autonomia universitária e atuação policial dentro do campus da USP. A relação entre movimentos estudantis e operações da Polícia Militar na universidade já foi alvo de conflitos em episódios anteriores envolvendo reintegrações de posse e protestos realizados por alunos.







