A visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China para uma reunião com o presidente Xi Jinping acontece em um momento de forte instabilidade internacional provocado pela guerra no Irã, conflito que tem afetado mercados, relações diplomáticas e o comércio global.
O encontro em Pequim ocorre após meses de desgaste nas relações entre Washington e Pequim, agravadas pela disputa tarifária iniciada pelo governo norte-americano no começo do segundo mandato de Trump, em 2025. A China foi um dos principais alvos das medidas comerciais impostas pelos Estados Unidos, principalmente nos setores ligados à tecnologia e à indústria estratégica.
A resposta chinesa incluiu restrições na exportação de terras raras, minerais considerados essenciais para segmentos como defesa, produção de semicondutores e desenvolvimento tecnológico. A reação de Pequim aumentou a pressão sobre a economia norte-americana e levou Washington a rever parte das tarifas anunciadas anteriormente.
Além da disputa econômica, a guerra envolvendo o Irã passou a ocupar o centro das negociações internacionais. O conflito atingiu diretamente interesses chineses no Oriente Médio, principalmente devido à dependência de Pequim do petróleo iraniano e à importância estratégica do Estreito de Ormuz para o transporte global de energia. Antes da escalada militar, cerca de 20% do petróleo mundial passava pela região.
Analistas consultados pela Agência Brasil avaliam que Trump chega ao encontro em uma posição mais delicada do que a prevista inicialmente pela Casa Branca. O cientista político Marco Fernandes, integrante do Conselho Popular do Brics, afirmou que o governo norte-americano esperava um desfecho rápido no Irã antes da reunião com Xi Jinping.
“Ele achou que chegaria a Pequim com todas as cartas na mão para pressionar Xi, mas faltou combinar com os iranianos. Agora, Trump está chegando derrotado. Nunca um presidente dos EUA chegou em uma reunião com um presidente da China tão enfraquecido e desmoralizado como Trump agora”, disse.
Segundo Fernandes, Rússia e China vêm atuando nos bastidores para buscar uma saída diplomática para o conflito no Oriente Médio. O especialista destacou a aproximação entre Pequim, Moscou e Teerã nas últimas semanas, incluindo encontros diplomáticos envolvendo autoridades iranianas.
Outro tema que deve dominar a reunião entre os dois líderes é a situação de Taiwan. Trump afirmou que pretende discutir com Xi Jinping a venda de armamentos norte-americanos para a ilha, questão considerada extremamente sensível pelo governo chinês. Pequim mantém a política de “uma só China” e rejeita qualquer movimento internacional que fortaleça a independência de Taiwan.
O professor de Relações Internacionais José Luiz Niemeyer, do Ibmec, avalia que a China deve pressionar os Estados Unidos a reduzir ações que possam estimular movimentos separatistas em Taiwan. Para ele, o encontro servirá também para definir limites de atuação geopolítica entre as duas potências em áreas consideradas estratégicas.
Especialistas apontam ainda que a visita de Trump à capital chinesa demonstra um movimento de reaproximação diante da necessidade dos Estados Unidos de estabilizar as relações comerciais e diplomáticas com Pequim. A avaliação é de que a China chega às negociações em uma posição mais confortável, sustentada pelo crescimento das exportações mesmo após o aumento das tarifas norte-americanas.







