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O Rock in Rio 2026 encerrou seu primeiro fim de semana nesta segunda-feira (7) com uma noite marcada por encontros de gerações, homenagens à música brasileira e um dos momentos mais aguardados desta edição: o retorno de Elton John aos palcos brasileiros. Com ingressos esgotados, a Cidade do Rock recebeu uma programação que atravessou diferentes estilos e décadas de música.
No Palco Mundo, Elton John foi o responsável por fechar a noite e protagonizou seu único show no Brasil em 2026. O cantor e pianista apresentou sucessos que atravessaram gerações, entre eles “Your Song”, “Tiny Dancer”, “Rocket Man” e “Bennie And The Jets”.

O retorno ganhou um significado especial por acontecer após a despedida dos palcos anunciada pelo artista em 2023, quando encerrou a turnê Farewell Yellow Brick Road. O Rock in Rio foi escolhido para uma apresentação especial na América do Sul.
A própria organização do festival havia anunciado o dia 7 de setembro como uma das datas esgotadas da edição, com Elton John como atração principal do Palco Mundo.
Para Roberto Medina, criador do Rock in Rio, a presença do artista representa a capacidade do festival de aproximar diferentes gerações.
“O Elton John escolheu o Rock in Rio para fazer este show que foi de arrepiar. Não teve outro na América do Sul, é só esse momento”, afirmou.
O empresário também destacou o encontro de famílias e fãs de diferentes idades diante de um dos grandes nomes da história da música mundial.
Desde as primeiras horas do festival, fãs já circulavam pela Cidade do Rock usando roupas e acessórios inspirados no visual característico de Elton John, incluindo os tradicionais óculos associados ao artista.
Gilberto Gil revisita trajetória e emociona o público
Antes de Elton John, o Palco Mundo recebeu Gilberto Gil. Aos 84 anos, o cantor apresentou um repertório especialmente preparado para o festival e revisitou momentos marcantes de sua carreira.
Canções como “Andar com Fé”, “Toda Menina Baiana” e “Aquele Abraço” fizeram parte da apresentação, que também trouxe à memória a participação de Gil na primeira edição do Rock in Rio, em 1985.
Em clima de despedida, o artista chegou a sugerir que aquela poderia ser sua última participação no festival. A possibilidade foi imediatamente rejeitada pelo público, que respondeu com gritos, aplausos e um grande coro.
O encontro reforçou uma das características mais marcantes do Rock in Rio 2026: reunir artistas que fazem parte da história da música com nomes que representam novas gerações.
Jon Batiste mistura jazz, blues, gospel e música brasileira
Jon Batiste ocupou o Palco Mundo em seguida e levou ao festival uma apresentação marcada pelo improviso e pelo virtuosismo ao piano.
O músico transitou por jazz, blues, gospel, R&B e samba, além de revisitar canções brasileiras. Entre os destaques esteve “Mas, Que Nada”, de Jorge Ben Jor, apresentada ao lado da cantora brasileira Nêgah Santos.
A performance também contou com músicos brasileiros e com a participação da bailarina Ingrid Silva. O encontro entre dança e piano criou um dos momentos mais marcantes da apresentação.
Conhecido por performances que combinam energia e improvisação, Batiste tem entre seus principais reconhecimentos um Oscar e um Grammy.
Luísa Sonza abre o Palco Mundo com encontro entre pop e bossa nova
A programação do principal palco começou com Luísa Sonza, que promoveu um encontro entre diferentes gerações e estilos ao convidar Roberto Menescal para a apresentação.
O repertório passou por músicas da própria cantora, como “Doce Mentira”, “Santa Imaculada”, “Penhasco 1” e “Penhasco 2”, além de momentos dedicados à bossa nova.
Ao lado de Menescal, Sonza apresentou “Chico” e outras canções associadas à trajetória do músico, como “Um Pouco de Mim”, “Você” e “Samba de Verão”.
A apresentação terminou em clima de festa, com “Dona Aranha” e “Telefone”.
Laufey conecta jazz contemporâneo à música brasileira
No Palco Sunset, Laufey encerrou a programação com uma apresentação que combinou jazz contemporâneo, elementos clássicos e uma grande produção visual.
A cantora islandesa-chinesa, um dos nomes de destaque da nova geração internacional, levou ao público uma interpretação em português de “Perdido de Amor”, de Luiz Bonfá.
O momento reforçou a conexão da artista com a música brasileira. Laufey também deixou o palco durante a apresentação para se aproximar dos fãs que estavam na grade.
A presença da cantora estava entre os destaques internacionais do dia 7, ao lado de Jon Batiste, conforme a programação oficial do festival.
Péricles transforma Sunset em tributo à Motown
Antes de Laufey, Péricles apresentou um projeto desenvolvido especialmente para o Rock in Rio em homenagem à Motown.
O cantor interpretou 13 sucessos ligados à lendária gravadora norte-americana, passando por nomes como Stevie Wonder, The Temptations, Lionel Richie, Jackson 5 e Smokey Robinson.
A homenagem também apareceu no figurino. Péricles subiu ao palco usando um terno risca de giz e uma capa estampada com rostos de grandes nomes da música negra dos Estados Unidos.
Os arranjos ficaram sob responsabilidade do maestro Maurício Piassarollo.
Roupa Nova retorna após 35 anos
Um dos momentos de maior nostalgia do Palco Sunset foi protagonizado pelo Roupa Nova, que voltou ao Rock in Rio 35 anos depois da primeira participação.
A banda recebeu Guilherme Arantes, que fez sua estreia no festival. O repertório reuniu sucessos como “Sapato Velho”, “Dona” e “A Viagem”, além da música-tema do próprio Rock in Rio, composta pelo grupo.
Guilherme Arantes assumiu o piano para interpretar “Cheia de Charme” e “Lindo Balão Azul”.
A tarde havia começado com Vanessa da Mata, que celebrou 20 anos de carreira. A cantora recebeu Rubel para uma participação especial em “Ainda Bem”, “Medo Bobo” e “Carta de Maria”.
A programação oficial confirmou os encontros de Vanessa com Rubel e de Roupa Nova com Guilherme Arantes no Sunset.
Fatboy Slim encerra noite eletrônica
No New Dance Order, Fatboy Slim levou à Cidade do Rock uma seleção de clássicos da música eletrônica e encerrou a programação do palco.
O DJ britânico, um dos nomes mais importantes da história da música eletrônica, comandou uma pista marcada por sucessos que se tornaram referências da cultura dos clubes.
Antes dele, Max Styler abriu a programação como Special Opening. Leo Janeiro e Simo Not Simon também se apresentaram, seguidos por Aline Rocha.
Belo comanda festa de samba e pagode no Espaço Favela
O Espaço Favela foi tomado pelo samba e pelo pagode. O palco recebeu o Balé dos Crias, Tiee, Mart’nália e Belo, que encerrou a programação como embaixador do espaço.
Tiee transformou a apresentação em uma grande roda de samba, misturando músicas autorais e clássicos do gênero. Entre os destaques esteve uma versão de “País Tropical”.
Mart’nália aproveitou a apresentação para comemorar seu aniversário com o público. A cantora recebeu uma homenagem de Zé Ricardo, vice-presidente artístico da Rock World, que levou flores e balões ao palco.
O encerramento ficou por conta de Belo, que apresentou seus principais sucessos diante de uma plateia lotada.
“Esse show representa muito não só para mim, mas para todo o meu público, o povo preto da comunidade, do samba, funk, pagode, trap. É uma história sendo contada aqui”, afirmou o cantor.
Supernova e Global Village valorizam a música brasileira
O Supernova reuniu Maui, Melly, Zeca Veloso e Alee. O palco teve apresentações de artistas de diferentes momentos da cena contemporânea e abriu espaço para novas sonoridades.
No Global Village, a programação valorizou a música brasileira e a bossa nova. Wanda Sá, Leila Pinheiro, Fernanda Takai, Joyce Moreno e João Bosco passaram pelo espaço.
João Bosco, homenageado desta edição do Global Village, encerrou a programação com um repertório marcado por clássicos da MPB e por sua reconhecida combinação de poesia e virtuosismo.
Fãs transformam a Cidade do Rock em palco de histórias pessoais
Além dos shows, o último dia do primeiro fim de semana também foi marcado por histórias que extrapolaram a programação musical.
A capixaba Josilda Souza, de 62 anos, viajou sozinha do Espírito Santo para acompanhar Elton John. Esta foi sua quinta participação no Rock in Rio.
Ela conta que já havia trabalhado em cinco edições anteriores, mas sempre nos bastidores, em cozinhas de estandes. Desta vez, viveu a experiência como público.
“É minha sexta vez aqui, mas nunca consegui assistir aos shows, participar das ativações, sentar no gramado e apenas relaxar. É um sonho viver isso tudo! Agora a experiência está completa.”
Josilda também destacou a autonomia de viajar sozinha para eventos musicais no Rio.
“Meus filhos são casados e têm a vida deles. Eu sou muito comunicativa e faço novas amizades aqui na Cidade do Rock.”
Esporte, tecnologia e música se encontram no ECCO
Entre as experiências fora dos palcos, o ECCO by LightWire também recebeu visitantes especiais. Os irmãos Diego e Daniele Hypolito acompanharam o espetáculo, que combina dança, tecnologia, luz, som e elementos relacionados à natureza.
A apresentação acontece na Arena 1, espaço que recebeu competições dos Jogos Olímpicos Rio 2016.
Para Daniele, retornar ao local dez anos depois dos Jogos trouxe uma dimensão especial à experiência.
“Foi uma experiência maravilhosa. Além de conhecer um pouco mais sobre a nossa Mata Atlântica e a nossa Amazônia, a gente está voltando para um território que completa dez anos que a gente viveu um momento mágico também aqui dentro.”
Diego também destacou a ligação entre o espaço e sua trajetória esportiva.
“Foi aqui onde eu fui medalhista olímpico há dez anos. E o espaço do ECCO é uma das arenas em que a gente já competiu, ao lado de onde eu fui medalhista. Então foi muito especial.”
Rock in Rio também vira cenário para casamento
A Rota 85 recebeu outra história especial. Caroline Eudézio e Daniel Fernandez, funcionários da Rock World, oficializaram a união na Cidade do Rock.
O casal se conheceu trabalhando no Rock in Rio, em 2022. Quatro anos depois, voltou ao festival para transformar o local onde a história começou em cenário para o casamento.
A cerimônia aconteceu na Capela do Rock in Rio, cercada por familiares e amigos.
“É a realização de um sonho. Eu nunca imaginei que isso poderia realmente acontecer, mas foi incrível estar rodeada de amigos, pessoas que realmente torcem por nós. Estou muito, muito feliz e realizada”, contou Caroline.
Daniel resumiu o significado do momento: “Estamos selando nosso amor aqui, finalmente, oficialmente”.
Cidade do Rock mantém programação além dos grandes palcos
A experiência do primeiro fim de semana também passou pelos espaços de entretenimento, gastronomia, moda e ativações de marcas.
A Babilônia Feira Hype levou à Cidade do Rock moda, design, arte urbana e economia criativa em uma edição que celebra 30 anos.
O público também contou com atrações como a Roda-Gigante Itaú, a Tirolesa Heineken, a Montanha-Russa iFood, o Mega Download TIM e o Discovery Superbet.
Com sete datas programadas entre 4 e 13 de setembro, o Rock in Rio 2026 retoma a programação na sexta-feira (11), dando início ao segundo fim de semana do festival.







