O cantor e compositor Djavan revelou que recusou uma proposta para se mudar definitivamente para os Estados Unidos mesmo após receber incentivo de executivos da indústria musical para desenvolver carreira internacional. A declaração foi feita durante participação no programa Som Brasil, em conversa sobre trajetória artística, processos criativos e os caminhos que marcaram sua carreira.
Segundo Djavan, a proposta surgiu quando ele assinou contrato com a Sony. Na época, o então presidente da gravadora, Tomás Muñoz, sugeriu que o artista gravasse um disco nos Estados Unidos, lançasse o projeto no Brasil e depois passasse a viver no país norte-americano para ampliar alcance internacional.
O cantor contou que inicialmente enxergou a possibilidade como a realização de um sonho antigo, mas passou a refletir sobre o impacto que a mudança teria em sua identidade artística e em sua ligação com a cultura brasileira.
“Pode ser que aconteça até o que o Tomás está dizendo, que é galgar o mundo com mais facilidade. Agora eu vou abandonar a cultura brasileira, os elementos que eu disponho aqui para trabalhar e o povo brasileiro?”
Djavan afirmou que decidiu permanecer no Brasil por entender que sua música estava diretamente ligada às referências culturais do país.
“O Brasil precisa muito mais de mim do que os Estados Unidos ou qualquer outro país do mundo. Eu sou brasileiro, quero continuar aqui usando os elementos da cultura brasileira.”

Durante a entrevista, o artista também relembrou bastidores da parceria com Stevie Wonder na gravação da música Samurai. Segundo ele, o produtor Ron Foster apresentou discos seus ao músico americano, que demonstrou interesse em participar do projeto.
Djavan contou que precisou compor a canção em pouco mais de um dia para atender à agenda de Stevie Wonder.
“Fui pro hotel, trabalhei na música Samurai e um dia e meio depois a música tava pronta.”
O cantor também comentou a repercussão de suas letras ao longo da carreira e respondeu às críticas sobre o caráter considerado enigmático de parte de suas composições. Segundo ele, as diferenças sempre fizeram parte de sua identidade artística.
“Eu faço a música diferente, eu faço a letra diferente, eu toco diferente, eu canto diferente.”
Ao falar sobre o sucesso recente de seus shows, Djavan destacou a diversidade do público que acompanha sua obra e relembrou a apresentação realizada em Copacabana, no Rio de Janeiro.
“Uma das coisas que me alegraram mais do que tudo foi perceber que aquele mundão de gente aglomerava pessoas de todas as raças, todas as classes sociais, todas as idades e tudo, e todos unidos em torno de uma música.”
Outro momento da entrevista foi dedicado às lembranças da juventude em Maceió. O cantor explicou que a música Ventos do Norte surgiu durante sua fase mais ligada ao litoral alagoano e às experiências vividas próximo ao mar.
Além das conversas, o programa apresentou performances de clássicos da carreira do artista, incluindo Samurai, Oceano, Te Devoro e Ventos do Norte. Ao comentar o repertório dos shows atuais, Djavan afirmou que procura equilibrar sucessos conhecidos com músicas menos populares de sua discografia.
“O show tem que envolver hits, invariavelmente todo mundo espera, né? E eu quero sempre trazer o lado B também para o show.”
Aos 75 anos, o cantor afirmou que segue motivado a criar novos projetos e disse continuar encarando a música como desafio constante.
“Eu tenho muita energia e tenho muita vontade. Eu gosto muito da música, eu gosto muito da minha profissão.”







