A violência praticada contra mulheres no ambiente digital apresentou crescimento expressivo no estado do Rio de Janeiro na última década. Dados do Dossiê Mulher 2026, divulgado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), mostram que, ao longo de 2025, 5.970 meninas e mulheres foram vítimas de crimes virtuais relacionados à violência psicológica e moral, o equivalente a uma média de 16 casos por dia. O volume representa um aumento superior a 1.300% em comparação com 2015, quando foram registradas 239 ocorrências desse tipo.
O levantamento também aponta que, considerando todas as formas de violência, 159.041 mulheres sofreram algum tipo de agressão no estado durante 2025. Isso significa que uma mulher foi vítima de violência, em média, a cada três minutos. O perfil predominante das vítimas é formado por mulheres negras, que representam 52,3% dos registros, seguidas por mulheres solteiras (47,9%) e jovens entre 18 e 29 anos, faixa etária que corresponde a 29,8% dos casos.
Entre os crimes registrados na internet, a violência psicológica permaneceu como a modalidade mais frequente pelo quinto ano consecutivo. Das quase seis mil vítimas contabilizadas em 2025, 3.417 sofreram esse tipo de agressão, o que representa 57% das ocorrências de violência virtual contra mulheres.
Pela primeira vez, o Dossiê Mulher dedicou uma análise específica ao impacto de discursos de ódio disseminados nas redes sociais, incluindo conteúdos associados ao chamado movimento redpill. Segundo o estudo, a circulação desse tipo de material no ambiente digital contribui para a propagação da misoginia e para a normalização de diferentes formas de violência de gênero, ampliando os riscos enfrentados pelas mulheres nas plataformas digitais.
Os dados apresentados pelo Instituto de Segurança Pública reforçam que a violência contra mulheres vem assumindo novas formas com o avanço das tecnologias de comunicação. O crescimento das agressões no ambiente virtual evidencia a necessidade de fortalecer mecanismos de prevenção, investigação e responsabilização, além de ampliar políticas públicas voltadas à proteção das vítimas e ao enfrentamento da violência de gênero também no espaço digital.







