As candidaturas de pessoas negras — pretas e pardas — representam 49,8% dos candidatos válidos nas eleições de 2026, segundo levantamento do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e da consultoria CommonData. Apesar do crescimento em relação a 2022, quando o percentual era de 35,5%, a participação ainda está abaixo da proporção de pessoas negras na população brasileira, estimada em 55,5%.
A análise considera 20.448 candidaturas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 16 de agosto. Desse total, 2.789 candidatos se autodeclararam pretos e 7.402, pardos.
O levantamento também aponta diferenças no acesso aos recursos eleitorais. Segundo o Inesc, mudanças nas regras de distribuição das verbas destinadas às candidaturas negras fizeram com que a proporção de recursos não acompanhasse necessariamente o percentual de candidatos negros. A entidade defende que a representatividade seja analisada também a partir do financiamento, da estrutura de campanha e do tempo de propaganda.
Mulheres negras avançam pouco
A participação feminina cresceu 1% entre as candidaturas, enquanto o avanço entre mulheres negras foi de apenas 0,5%. Elas representam 18,2% do total de candidaturas em 2026, contra 17,3% em 2022.
Entre as 7.116 mulheres que disputam as eleições, 52,2% são negras: 2.485 pardas e 1.234 pretas. Já os homens negros passaram de 32,3% para 31,7% das candidaturas.
O levantamento ainda registra 191 candidaturas indígenas, equivalentes a 0,9% do total, e 212 candidaturas quilombolas, que correspondem a 1%. Os dados completos sobre gênero devem ser divulgados no fim de setembro.







