A coligação Brasil Pronto Pra Mais, que apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela reeleição, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste domingo (25) para denunciar dificuldades no transporte público em municípios de nove estados durante o segundo turno das eleições de 2026. A representação cita ocorrências na Bahia, em São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará e Rio de Janeiro.
A campanha solicitou a ampliação do horário de votação até as 19h nas localidades prejudicadas, argumentando que a redução da oferta de transporte e outros problemas de deslocamento poderiam impedir eleitores de chegar às seções eleitorais dentro do período previsto, normalmente encerrado às 17h.
Na ação encaminhada à Justiça Eleitoral, a coligação afirmou que as dificuldades foram registradas em diferentes regiões ao longo do dia. O documento também citou o alcance das manifestações sobre o tema nas redes sociais: entre as 8h e as 13h30, foram contabilizadas 249,7 mil publicações relacionadas a transporte, com 848,7 mil interações, segundo os dados apresentados pela campanha.
Salvador tem ônibus retidos nas garagens
Na capital baiana, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, em meio às ocorrências relacionadas à circulação de ônibus. Segundo a Agência Brasil, o Procon-BA identificou 370 veículos parados nas garagens de Salvador.
A Justiça Eleitoral determinou que 100% da frota do transporte público prevista para dias úteis fosse colocada em circulação durante a votação, com gratuidade das passagens. A medida busca assegurar o deslocamento dos eleitores até os locais de votação.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, informou que analisaria os pedidos de ampliação do horário eleitoral e solicitou informações adicionais ao TRE-BA sobre os problemas registrados em Salvador.
Denúncias incluem cidades do Nordeste, Norte e Sudeste
Em Alagoas, a representação aponta falta de vans e micro-ônibus para viagens intermunicipais desde o início da manhã. De acordo com o documento, houve relatos de esperas superiores a uma hora e cobranças de passagens, situação que teria levado à intervenção do Ministério Público estadual.
Em Pernambuco, a campanha relatou dificuldades para obter gratuidade no transporte intermunicipal e mencionou uma denúncia de motorista que teria dificultado o embarque de um eleitor. Em Roraima, a representação afirma que empresas teriam deixado de realizar rotas eleitorais, prejudicando o deslocamento de eleitores indígenas.
No Piauí, foram relatadas reduções na frota de ônibus em Teresina. Na Paraíba, a ação menciona dificuldades de acesso aos locais de votação e vídeos que mostrariam ônibus passando direto pelos pontos de embarque na Zona Sul, além de longos períodos de espera.
No Pará, as denúncias se concentram em dificuldades de transporte na Ilha do Marajó. Já no estado do Rio de Janeiro, a coligação citou relatos de circulação reduzida de ônibus em Petrópolis e São Gonçalo, com filas nos pontos e demora no atendimento.
Campanha pede responsabilização dos envolvidos
Além de solicitar a extensão do horário de votação, a coligação pediu a prisão em flagrante dos responsáveis pelo que classificou, na representação, como impedimento ao exercício do direito de voto.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também comentou o assunto nas redes sociais. Ele atribuiu os problemas a prefeitos que chamou de “bolsonaristas” e alegou que as dificuldades estariam concentradas em regiões nas quais Lula teve votação expressiva no primeiro turno. Trata-se de uma acusação apresentada pelo ministro, não de uma conclusão judicial sobre a motivação dos problemas relatados.
As denúncias foram encaminhadas à Justiça Eleitoral para análise em meio à votação do segundo turno.







