O Brasil alcançou em 2025 o menor índice de analfabetismo já registrado entre pessoas com 15 anos ou mais. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Educação), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que 8,4 milhões de brasileiros ainda não sabem ler e escrever, o equivalente a 4,9% da população nessa faixa etária. É a primeira vez que o indicador fica abaixo da marca de 5% desde o início da série histórica, em 2016.
O resultado foi celebrado pelo Ministério da Educação (MEC), que atribui a redução do analfabetismo a uma série de políticas públicas implementadas nos últimos anos, especialmente ações voltadas à permanência dos estudantes na escola e à ampliação do acesso à Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Durante agenda realizada em Fortaleza, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou que o país atingiu um marco histórico ao reduzir o analfabetismo a um patamar considerado não estrutural pelos critérios da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
“Nós passamos 526 anos perseguindo esse número. De acordo com a Unesco, isso quer dizer que, no Brasil, pela primeira vez na história, o analfabetismo deixou de ser um problema estrutural no Brasil. Nós estamos caminhando para a erradicação do analfabetismo”, disse o ministro.
Segundo o MEC, um dos fatores que contribuíram para a melhora dos indicadores foi o fortalecimento de programas de incentivo à frequência escolar, como o Pé-de-Meia, destinado a estudantes da rede pública de ensino médio. A avaliação do governo é que a política ajudou a reduzir a evasão escolar e aumentou a permanência dos jovens nas salas de aula.
Outro ponto destacado pela pasta foi a retomada da Educação de Jovens e Adultos. O ministério afirma que houve crescimento nas matrículas da modalidade após anos de retração, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, contribuindo para que mais brasileiros retornassem aos estudos e concluíssem a alfabetização.
Os números divulgados pelo IBGE mostram uma evolução consistente ao longo da última década. Em 2016, a taxa nacional de analfabetismo era de 6,7%. Em nove anos, o índice caiu para 4,9%, representando uma redução de 1,8 ponto percentual. Apenas entre 2024 e 2025, cerca de 592 mil pessoas deixaram a condição de analfabetismo.
Apesar do avanço, os dados revelam que o desafio ainda permanece significativo. Mais da metade dos brasileiros não alfabetizados vive na Região Nordeste, que concentra aproximadamente 4,8 milhões de pessoas nessa condição. Além disso, a população idosa continua sendo a mais afetada. Pessoas com 60 anos ou mais representam cerca de 58% do total de analfabetos do país.
Especialistas também alertam para a diferença entre alfabetização e alfabetismo funcional. Embora a taxa de analfabetismo tenha atingido o menor nível da história, pesquisas indicam que milhões de brasileiros ainda enfrentam dificuldades para compreender textos, interpretar informações e utilizar habilidades básicas de leitura e matemática no cotidiano.
O resultado divulgado pelo IBGE reforça uma tendência de queda observada nos últimos anos e aproxima o país da meta de erradicação do analfabetismo. No entanto, o Brasil ainda não atingiu os objetivos previstos pelo Plano Nacional de Educação, que estabelecia a superação do problema até 2024.
Com a nova marca histórica, o debate passa a se concentrar não apenas na redução do número de pessoas que não sabem ler e escrever, mas também na ampliação da qualidade da aprendizagem e no combate às desigualdades educacionais que ainda persistem em diferentes regiões e faixas etárias do país.







