O Brasil passou a figurar entre os destaques mundiais na gestão de recursos hídricos ao ser indicado ao Global Water Awards, uma das principais premiações internacionais voltadas ao setor. A candidatura foi conquistada pela atuação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), reconhecida por avanços recentes na regulação e organização dos serviços de água e esgoto.
A instituição brasileira concorre na categoria de Agência Pública de Água do Ano, que valoriza iniciativas capazes de promover melhorias sustentáveis nos sistemas de abastecimento, saneamento, tecnologia e dessalinização. A indicação coloca o país ao lado de organizações de referência internacional, evidenciando o papel crescente do Brasil no debate global sobre segurança hídrica.
De acordo com representantes da ANA, o reconhecimento reflete uma evolução institucional baseada na criação de normas, fortalecimento de órgãos reguladores e aprimoramento dos mecanismos de governança. Esse conjunto de ações tem como objetivo ampliar o acesso aos serviços de saneamento de forma mais equilibrada entre regiões e populações.
Entre as iniciativas que contribuíram para a indicação estão a elaboração de diretrizes nacionais para os quatro eixos do saneamento básico: limpeza urbana, manejo de resíduos sólidos, drenagem de águas pluviais e gestão de esgoto. Essas normas ajudam a padronizar práticas, reduzir conflitos regulatórios e dar mais previsibilidade ao setor.
Outro avanço importante foi a implementação de regras voltadas à redução de perdas de água nos sistemas de distribuição, com a criação de indicadores padronizados e planos de gestão para estados e municípios. A medida busca aumentar a eficiência do uso dos recursos disponíveis, evitando desperdícios e diminuindo a pressão sobre mananciais naturais.
A agência também avançou na regulamentação do reuso de água não potável, permitindo que efluentes tratados sejam reaproveitados em atividades como irrigação, limpeza urbana e recarga de aquíferos, contribuindo para um modelo mais sustentável de utilização da água.
Apesar dos progressos, os dados nacionais ainda indicam desafios relevantes. Em 2024, cerca de 84,1% da população brasileira tinha acesso à água tratada, enquanto apenas 62,3% contavam com rede de esgoto, evidenciando a necessidade de continuidade dos investimentos e políticas públicas no setor.
A premiação é organizada pela Global Water Intelligence, que destacou o papel da ANA na redução de incertezas regulatórias, no estímulo a investimentos e na definição de metas nacionais para universalização dos serviços. O resultado final será anunciado em maio, durante evento internacional na Espanha.
A indicação reforça o posicionamento do Brasil no cenário internacional e evidencia o impacto de políticas estruturantes na melhoria da gestão da água e do saneamento, áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida da população.







