A Justiça Eleitoral concluiu neste sábado (3) uma das últimas etapas de preparação para o primeiro turno das Eleições 2026, marcado para este domingo (4). Em todo o país, os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) organizaram a distribuição das urnas eletrônicas e a montagem dos locais que receberão os eleitores.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estão disponíveis 563.910 urnas eletrônicas para o pleito. Desse total, 499.248 equipamentos serão utilizados diretamente na votação, enquanto 64.662 permanecem como reserva técnica e urnas de contingência, destinadas à substituição de equipamentos caso seja necessário.
Ao longo deste sábado, os equipamentos foram transportados para os locais de votação, onde serão posicionados e preparados pelas equipes da Justiça Eleitoral. Depois da montagem, as urnas permanecem sob guarda até a abertura das seções no domingo.
A operação envolve diferentes estratégias de transporte de acordo com as características de cada região. Em áreas urbanas, os equipamentos são levados por veículos, enquanto localidades de difícil acesso podem exigir o uso de barcos, aeronaves e helicópteros.
Estrutura das seções é preparada antes da votação
Além da entrega das urnas, servidores da Justiça Eleitoral e colaboradores convocados trabalham na organização dos espaços onde ocorrerá a votação. As equipes posicionam os equipamentos, organizam o fluxo dos eleitores e instalam materiais de orientação.
No Rio de Janeiro, parte das urnas foi transportada utilizando ônibus escolares, enquanto profissionais da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) participaram do apoio à operação logística.
O trabalho ocorre em meio a uma estrutura nacional que envolve 516.785 seções eleitorais, distribuídas por 2.641 zonas eleitorais. A organização leva em conta a quantidade de eleitores e as características de cada região.
Zerésima antecede abertura das urnas
Antes do início da votação, outro procedimento será realizado para demonstrar que as urnas não possuem votos registrados. Trata-se da emissão da zerésima, relatório que comprova que não há votos contabilizados nos equipamentos antes da abertura da votação.
Procedimento semelhante foi realizado neste sábado pelo TSE em Brasília. A Corte também promoveu testes para verificar a integridade e a autenticidade dos sistemas que serão utilizados na eleição. Foram conferidos quatro sistemas relacionados ao transporte, recebimento, armazenamento e totalização dos arquivos das urnas.
A verificação utiliza assinaturas digitais e os chamados hashes, identificadores que permitem conferir se os arquivos dos sistemas permanecem iguais aos que foram previamente assinados e lacrados pela Justiça Eleitoral.
Nas seções eleitorais, a zerésima será emitida pelos responsáveis pela votação antes que o primeiro eleitor registre seu voto.
Urnas também passam por auditorias
A preparação inclui ainda procedimentos de auditoria realizados pela Justiça Eleitoral. Parte das urnas será submetida a testes de autenticidade dos sistemas instalados. Nesses casos, os equipamentos permanecem nos locais de votação e são verificados para confirmar que os programas utilizados correspondem aos sistemas desenvolvidos, assinados digitalmente e lacrados pelo TSE.
Outra parcela das urnas sorteadas participa do Teste de Integridade, realizado antes do início da votação. Os equipamentos são retirados das seções e levados para locais previamente definidos, onde os votos registrados em cédulas de papel são posteriormente comparados com os resultados registrados pelas urnas eletrônicas.
No Rio de Janeiro, parte desses procedimentos será realizada em locais como o Tribunal de Justiça e a sede da Fundação Getulio Vargas, com acompanhamento de fiscais e acesso ao público, conforme a organização do TRE-RJ.
Preparação envolve diferentes regiões do país
A logística da eleição considera também as condições geográficas e climáticas encontradas pelos tribunais. Em setembro, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, informou que a Justiça Eleitoral havia criado uma sala de situação climática para auxiliar os TREs diante de possíveis dificuldades no transporte das urnas e na instalação das seções.
Entre os desafios mencionados estavam a seca em municípios da região Norte, onde os rios são utilizados como vias de acesso, e as chuvas intensas no Rio Grande do Sul, que poderiam provocar alterações em locais de votação.
A distribuição dos equipamentos faz parte de uma operação iniciada meses antes do primeiro turno. Conforme o TSE, as urnas passam por etapas como preparação dos sistemas, carga, testes e lacração antes de serem encaminhadas às zonas eleitorais e, posteriormente, aos locais onde serão utilizadas.
Neste domingo (4), os equipamentos serão ligados e utilizados para o registro dos votos dos eleitores em todo o país.
“mais uma prova pública e verificável de que o voto de cada cidadão será recebido, registrado e contado exatamente como foi manifestado”
A declaração foi feita pelo presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, ao comentar os procedimentos realizados antes da abertura da votação.
“A eleição não começa quando o eleitor aperta a tecla “Confirma”. Ela começa muito antes, na preparação dos sistemas, na carga e na lacração das urnas, na fiscalização permanente dos partidos e das instituições”, acrescentou.







