Na adaptação literária Eu Odeio Sherlock Holmes, Luiz Antonio Aguiar transforma um conflito clássico da história da literatura em narrativa instigante e emocionalmente densa. Publicada pela Elo Editora e ilustrada por Fê, a obra apresenta uma nova perspectiva sobre a complexa relação entre Arthur Conan Doyle e sua criação mais célebre: o detetive Sherlock Holmes.
Muito além de uma adaptação convencional dos contos originais, Aguiar propõe uma leitura que flerta com a metalinguagem, revelando o drama do autor britânico que tentou se livrar de um personagem que o superou em fama e poder simbólico. O livro convida o leitor a visitar não apenas as investigações brilhantes de Holmes, mas os bastidores criativos e os dilemas existenciais de Conan Doyle — um autor que, em certo momento, chegou a considerar a morte do detetive como sua única salvação.
Quando o personagem se volta contra o criador
Em entrevista ao Expresso Carioca, Luiz Antonio Aguiar afirma ter sido movido por esse embate literário quase tragicômico: “É algo dramático para mim, como autor, ver alguém se sentir ultrapassado por uma criação sua. Parece paradoxal. Mas Doyle viu Holmes como um fardo, mesmo tendo sido ele quem deu toda essa potência ao personagem.”
A ideia, segundo o escritor, era oferecer mais que um resumo: “Eu quis mostrar ao leitor os dilemas do autor, suas estratégias, suas frustrações, e também os recursos literários que Doyle utilizou para construir personagens como Watson, que considero mais complexo do que o próprio Holmes.”

No livro, Conan Doyle aparece como personagem-narrador. Ele comenta seus contos, discute sua criação e revela como tentou — e falhou — em eliminar Sherlock Holmes, tamanha era a pressão do público e do mercado editorial.
Uma adaptação que ensina literatura e emociona
A proposta de Aguiar é ousada: usar a adaptação para mergulhar em um debate literário e emocional. Através de uma estrutura que respeita os contos originais, mas também os reinventa, Eu Odeio Sherlock Holmes dialoga com leitores de diferentes idades e formações — inclusive professores, jornalistas e profissionais de saúde emocional.
“Literatura fala dos nossos sentimentos, pulsões, medos, paixões”, diz Aguiar. “É por isso que esse livro pode tocar tanto um adolescente quanto um adulto. Pode interessar a um psicólogo, a um jornalista, a um jovem leitor curioso sobre os bastidores da criação literária.”
Para o autor, o “algo a mais” de suas adaptações está justamente nesse cruzamento entre o clássico e o contemporâneo, o literário e o humano. Ele já aplicou esse mesmo raciocínio em outras obras, como A Confraria da Casa Verde, que funde o conto “O Alienista”, de Machado de Assis, com narrativas de Chekhov, Edgar Allan Poe e Cervantes.
Fê: a fantasia nas imagens
As ilustrações de Fê ampliam a experiência do leitor. Com traços que misturam lirismo e liberdade compositiva, ele cria uma atmosfera visual encantadora, que conversa com o texto sem ser meramente descritiva. Vencedor de prêmios como o Açorianos, Fê imprime à obra uma sensibilidade que equilibra o peso do conflito autoral com o fascínio pelo universo ficcional.
Literatura como ponte entre gerações
Aguiar se destaca por tratar seus leitores com inteligência e respeito. Com mais de 170 livros publicados, é um dos nomes mais premiados e produtivos da literatura brasileira. Seu trabalho vai além das páginas: promove oficinas, encontros com alunos e professores, e mantém presença ativa nas redes sociais — inclusive com um canal no YouTube e um personagem criado junto à neta, o “Vovô TikToker”.
No fim da entrevista, o autor deixa um convite direto: “Escrevo para encantar, provocar pensamento, ampliar perspectivas. Se isso interessar alguém, convido para ler. A literatura é, para mim, um exercício de humanidade.”
Eu Odeio Sherlock Holmes é, enfim, uma adaptação que desafia convenções, celebra a genialidade de Doyle e emociona o leitor ao lembrar que, por trás de todo personagem imortal, há sempre um autor lutando para não desaparecer.
Sobre o autor
Luiz Antonio Aguiar é escritor com mais de 170 livros publicados, no Brasil e no exterior, e premiado mundialmente, com prêmios como Jabuti e Distinção Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio. É também professor de Literatura e promove oficinas de criação literária e de leitura. Roteirista de quadrinhos, com adaptações premiadas de clássicos da literatura brasileira em graphic novels. Carioca e rubro-negro, acredita em discos voadores. Casado e avô, Luiz Antonio Aguiar se dedica também à intensa atividade de lives – palestras e conversas com alunos, professores e bibliotecários, além da produção de programas on-line com debates sobre literatura. Percorre colégios, feiras e eventos da cena literária, dando palestras e aulas e batendo papo. Está presente no Facebook, no TikTok (com um personagem cozinheiro, criado por sua neta, o Vovô TikToker) e no Instagram. Tem ainda o blog do Luiz Antonio Aguiar, que promove debates sobre literatura, e um canal no YouTube, além de seu site.
Sobre o ilustrador
Fê nasceu em Santos e, quando era pequeno, seus pais, imigrantes, lhe contavam histórias que alimentaram sua imaginação e alma criativa com afago e fantasia. Formado em Arquitetura e Comunicação Visual, é ‘iluscritor’ por vocação e paixão. Lápis de cor e pincéis sempre foram seus amigos inseparáveis na criação de desenhos e pinturas de lugares e personagens fantásticos e encantados. Recebeu prêmios importantes, como o Prêmio Açorianos de melhor ilustração de livro infantil. Suas obras se destacam pela liberdade da composição, pela proporção emocional, pela fantasia e pelo encantamento e, nelas, Fê cultiva esse olhar da criança alegre, inventiva e livre.
Ficha Técnica
Eu odeio Sherlock Homes
Texto: Luiz Antonio Aguiar
Ilustração: Fê
Editora: Elo Editora
ISBN: 978-65-6142-005-1
Dimensões: 18,5 x 24 cm
Páginas: 260
Vendas: https://eloeditora.com.br/catalogo/eu-odeio-sherlock-holmes/
O livro conta com audiodescrição e acessibilidade em Libras
Sobre a Elo Editora: Jovem editora que leva a literatura a todos os cantos do país. Acredita que a leitura pode transformar a sociedade, valorizando a vida das pessoas e dando sentido e novos significados a ela. Para contribuir na construção de um mundo inclusivo, oferece acessibilidade em todos os seus livros, com recursos de audiodescrição e Libras.







