Depois de uma redução em 2023, o trabalho infantil entre crianças de 5 a 9 anos voltou a crescer em 2024, segundo dados divulgados pelo IBGE. O Brasil registrou 122 mil crianças nessa faixa etária em situação de trabalho infantil, um aumento de 22% em relação ao ano anterior, o maior percentual já registrado desde o início da série histórica, em 2016.
Para a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, que analisou os números, a situação é “inaceitável”. A diretora-executiva, Mariana Luz, destacou que negar a essas crianças o direito de brincar e aprender compromete o futuro e reforça desigualdades sociais e raciais. Crianças pretas e pardas, que representam 66% da faixa etária, somam 67,8% das submetidas ao trabalho infantil, evidenciando um recorte estrutural do problema.
Especialistas apontam que a falta de creches e escolas em tempo integral contribui para o aumento do trabalho infantil, especialmente em períodos de férias. Já entre adolescentes de 5 a 17 anos, o número total caiu 21,4% em oito anos, mas também apresentou alta de 2% de 2023 para 2024.
Apesar do crescimento no grupo mais jovem, o Brasil registrou queda nas piores formas de trabalho infantil — atividades perigosas e insalubres — com 560 mil pessoas de 5 a 17 anos nessa condição, o menor patamar desde 2016.
A ONU estabeleceu, por meio do ODS 8.7, a meta de acabar com o trabalho infantil até 2025, mas especialistas alertam que o país ainda está longe de alcançá-la. A Fundação reforça que “cada criança retirada de sua infância é uma falha coletiva” e pede ações urgentes, fiscalização rigorosa e apoio às famílias vulneráveis.
Denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, canal gratuito de direitos humanos.







