A primavera de 2026 começa nesta terça-feira (22), às 21h05, com previsão de temperaturas elevadas e mudanças importantes no regime de chuvas em diferentes regiões do Brasil. A estação será marcada pela influência do El Niño, fenômeno que pode alterar a circulação atmosférica e provocar condições distintas de chuva e temperatura ao longo dos próximos meses.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a tendência é de temperaturas acima da média em praticamente todo o território nacional, embora a intensidade varie conforme a região. Ao mesmo tempo, o comportamento das chuvas deverá ser bastante irregular, com possibilidade de volumes acima do normal em partes do Sul e Sudeste e déficit de precipitação em áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
A previsão ocorre em um momento de fortalecimento do El Niño. Projeções do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (CPC/NOAA) indicam mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir a categoria de muito forte durante a primavera e o verão de 2026/2027. Também há uma estimativa de 75% de chance de que seja o evento mais intenso registrado desde 1950.
Segundo o meteorologista do Inmet Mozar de Araújo Salvador, a influência do fenômeno será percebida de maneira diferente entre as regiões.
“O El Niño tem potencial para influenciar as condições climáticas no Brasil durante a primavera, especialmente nas regiões Sul, Norte e Nordeste”
Sul deve concentrar chuvas mais intensas
A Região Sul está entre as áreas que devem registrar maior influência das condições associadas ao El Niño. A previsão indica possibilidade de chuvas acima da média, inclusive com a formação dos chamados Complexos Convectivos de Mesoescala, sistemas compostos por grandes aglomerados de tempestades que podem se desenvolver rapidamente.
O cenário aumenta a possibilidade de episódios de chuva forte e tempestades em diferentes momentos da estação. Parte do Sudeste e do Centro-Oeste também pode registrar volumes elevados de precipitação.
São Paulo e Mato Grosso do Sul aparecem entre os estados com possibilidade de receber maiores volumes de chuva nessas duas regiões.
“Nessas duas últimas regiões, os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul podem se destacar com maiores volumes de chuvas”, complementa Salvador.
A combinação de calor, umidade e instabilidade atmosférica pode favorecer a formação rápida de tempestades, inclusive com episódios de ventos fortes e outros fenômenos associados.

Norte e Nordeste podem enfrentar períodos mais secos
Enquanto o Sul tende a registrar mais chuva, o cenário previsto para parte do Norte e do Nordeste é de precipitações mais irregulares e períodos de déficit hídrico.
Na Região Norte, a distribuição das chuvas deverá ser desigual. O fluxo de umidade proveniente da Amazônia tende a favorecer precipitações no centro-sul da região e também em áreas do Centro-Oeste e do Sudeste.
Em outras áreas, entretanto, a previsão aponta para períodos mais secos.
No Nordeste, o norte do Piauí e o noroeste do Ceará estão entre as áreas com perspectiva de receber menos chuva durante a primavera.
“Nas Regiões Norte e Nordeste, há maior potencial para chuvas mais irregulares, resultando em déficit de chuvas em grande parte dessas regiões. Também há possibilidade de predomínio de déficit de chuva no centro-norte de Mato Grosso e no norte de Goiás”, afirma Salvador.
Os efeitos de períodos prolongados de seca podem atingir diferentes atividades e serviços, principalmente em áreas que dependem diretamente da disponibilidade de água. Durante episódios anteriores de El Niño, a redução das chuvas na Amazônia também esteve associada à queda do nível dos rios e a dificuldades para transporte, pesca, abastecimento e acesso a comunidades.
Calor deve acompanhar a nova estação
Além das diferenças na distribuição das chuvas, o calor será uma característica importante da primavera de 2026.
A previsão do Inmet aponta temperaturas elevadas em praticamente todo o Brasil, com possibilidade de marcas superiores à média histórica em diferentes regiões.
“De modo geral, as temperaturas devem ficar elevadas, podendo ultrapassar a média para o período em praticamente todo o Brasil, variando de intensidade conforme a região”, conclui.
No Rio de Janeiro, por exemplo, autoridades estaduais já vêm adotando medidas preventivas diante dos possíveis impactos do fenômeno. Entre os cenários considerados estão ondas de calor, redução da disponibilidade hídrica, aumento do risco de incêndios florestais e eventos meteorológicos severos.
O Ministério da Saúde também instalou no Rio uma base da Força Nacional do SUS para ampliar a capacidade de resposta a emergências relacionadas a eventos climáticos extremos na Região Sudeste. A estrutura poderá atuar em situações como ondas de calor e enchentes.
Equinócio marca a chegada da primavera
O início da primavera está relacionado ao equinócio de setembro, fenômeno astronômico que ocorre quando os hemisférios Norte e Sul recebem uma quantidade semelhante de radiação solar. Nesse período, a duração do dia e da noite fica próxima do equilíbrio.
Os equinócios acontecem duas vezes por ano, em março e setembro, marcando respectivamente a chegada da primavera ou do outono em cada hemisfério.
Depois do equinócio de setembro, os dias começam a ficar progressivamente mais longos no Hemisfério Sul. Esse processo continuará até o solstício de dezembro, marcado para as 18h50 do dia 21, quando terá início o verão.
No Hemisfério Norte, ocorre o movimento contrário: o equinócio de setembro dá início ao outono, com noites progressivamente mais longas até a chegada do inverno em dezembro.
A combinação entre o fortalecimento do El Niño, temperaturas elevadas e alterações no regime de precipitações coloca a primavera de 2026 entre os períodos que exigem acompanhamento das condições meteorológicas, especialmente diante da possibilidade de extremos opostos entre diferentes regiões do país.







