Uma operação policial deflagrada nesta terça-feira (20) desmantelou uma rede criminosa responsável pelo chamado golpe do “falso advogado”, esquema que atuava em pelo menos seis estados do país. Ao todo, 11 pessoas foram presas em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte. A Justiça expediu 66 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão, busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias ligadas aos suspeitos.
As investigações, iniciadas há cinco meses pela Delegacia de Combate a Estelionatos de Joinville (SC), revelaram que os criminosos invadiam sistemas do governo federal e de Tribunais de Justiça para obter informações de processos e dados de clientes. De posse dessas informações, entravam em contato com as vítimas se passando por advogados, solicitando depósitos referentes a supostas custas processuais para liberar alvarás ou acelerar trâmites judiciais.
Golpe milionário
Segundo a Polícia Civil, os valores exigidos variavam entre R$ 30 mil e R$ 100 mil, mas alguns casos chegaram a ultrapassar R$ 500 mil. Um dos advogados que tiveram sua identidade utilizada foi Guilherme Aquino Reusing Pereira, vice-presidente da OAB de Joinville, cuja cliente chegou a transferir R$ 20 mil acreditando tratar-se de um pagamento legítimo.
“Os criminosos usavam até fotos de advogados reais em aplicativos de mensagens para dar credibilidade ao golpe”, explicou Pereira.
Alerta às vítimas
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem registrado aumento expressivo das denúncias. Apenas em São Paulo, mais de 3 mil casos foram reportados desde 2024. Para conter o avanço, a entidade lançou uma cartilha de prevenção e montou uma força-tarefa para orientar profissionais e clientes.
A Polícia orienta que, ao receber contatos suspeitos, a população:
- confira sempre os canais oficiais do advogado no Cadastro Nacional da OAB;
- desconfie de números de telefone diferentes ou de solicitações de PIX;
- confirme informações diretamente com o escritório responsável pelo processo;
- registre boletim de ocorrência em caso de tentativa de golpe.
“A grande lição é: nunca faça pagamentos sem validar diretamente com seu advogado de confiança. Golpistas usam informações reais, mas manipulam os clientes para extorquir valores”, reforçou Artur José Dian, delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo.







