A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (6) a Operação Egrégora, que investiga um esquema criminoso de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Minas Gerais. Três pessoas foram presas preventivamente e oito endereços foram alvo de mandados de busca e apreensão nas cidades de Belo Horizonte, Contagem e Betim.
Segundo as investigações, o grupo atuava há quase duas décadas, utilizando documentos falsificados para obter benefícios previdenciários em nome de pessoas fictícias. A estimativa é de que o golpe tenha causado um prejuízo superior a R$ 11,5 milhões ao INSS.
De acordo com a PF, os criminosos criavam identidades falsas usando certidões de nascimento, RGs e comprovantes de residência forjados. Para dar veracidade às fraudes, idosos eram recrutados para se passarem pelos supostos beneficiários e receber os valores liberados. Pelo menos dez idosos já foram identificados como participantes da ação, relacionada a 40 pessoas fictícias.
Grande parte dos recursos desviados vinha do Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a pessoas com deficiência ou com mais de 65 anos em situação de vulnerabilidade, no valor de um salário mínimo (R$ 1.518).
A operação contou com o apoio da Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social e do Ministério da Previdência Social. As identidades dos presos não foram divulgadas.
A ação ocorre em meio ao maior escândalo recente do INSS, revelado pela Operação Sem Desconto, que apontou a cobrança de mensalidades não autorizadas por sindicatos e associações diretamente nos benefícios de aposentados. A repercussão do caso levou à demissão do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e à saída do ministro da Previdência, Carlos Lupi.
Em resposta, o INSS suspendeu todos os acordos com entidades autorizadas a descontar valores dos benefícios, enquanto a Advocacia-Geral da União (AGU) atua para reaver os valores desviados. Já foram bloqueados mais de R$ 1 bilhão em bens dos investigados.







