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Peça “O Extermínio da Cegonha” estreia no Espaço Cultural Sérgio Porto com debate sobre tecnologia e relações humanas

Escrita e dirigida por Pedro Uchoa, montagem mistura humor e tragédia para abordar conflitos geracionais, responsabilidade emocional e os impactos da vida digital; apresentação será nesta sexta-feira (23), às 20h, no Rio

Rodrigo SouzaPorRodrigo Souza
20 de outubro de 2026
em Teatro
Peça “O Extermínio Da Cegonha” Estreia No Espaço Cultural Sérgio Porto Com Debate Sobre Tecnologia E Relações Humanas - Expresso Carioca

Peça “O Extermínio Da Cegonha” Estreia No Espaço Cultural Sérgio Porto Com Debate Sobre Tecnologia E Relações Humanas - Foto: Dalton Valerio

Entretê - Expresso Carioca

O avanço da tecnologia e seus efeitos sobre os relacionamentos humanos estão no centro de “O Extermínio da Cegonha”, espetáculo que chega ao Espaço Municipal Cultural Sérgio Porto, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (23), às 20h. Escrita e dirigida por Pedro Uchoa, a peça combina humor, drama e reflexão para explorar como as transformações digitais influenciam os afetos, as escolhas e a maneira como as pessoas constroem suas memórias.

Pedro também integra o elenco, ao lado de Higor Campagnaro, Julia Limp, Nara Parolini e Ricardo Lopes. A montagem propõe um encontro entre diferentes gerações e seus modos de compreender o mundo, colocando em evidência os conflitos entre a experiência analógica e a realidade marcada por smartphones, aplicativos e redes sociais.

Na história, Isabel decide passar o feriado de Finados em sua cidade natal acompanhada do namorado, do cunhado e da irmã mais nova. O reencontro inesperado com Samuel, um amigo de infância, desencadeia acontecimentos que recuperam lembranças do passado e revelam conflitos que não podem ser desfeitos.

A narrativa acompanha personagens que cresceram em contextos distintos. Enquanto uma geração viveu a infância compartilhando o telefone fixo da família, outra se formou em meio à comunicação instantânea e à exposição constante nas redes. Madá, irmã mais nova de Isabel, representa esse olhar da geração Z, em uma sociedade na qual experiências cotidianas são registradas em publicações digitais e a repercussão das emoções pode ser medida pelo engajamento.

Tecnologia, silenciamento feminino e responsabilidade emocional

Além das diferenças geracionais, o espetáculo aborda temas como responsabilidade emocional, silenciamento feminino e consciência de privilégios. A proposta é mostrar como as mudanças tecnológicas também interferem na maneira de estabelecer vínculos, lidar com conflitos e assumir as consequências das próprias decisões.

O texto começou a ser desenvolvido há mais de dez anos e passou por diferentes adaptações ao longo desse período. Com a evolução das ferramentas digitais e a transformação dos hábitos sociais, a tecnologia deixou de funcionar apenas como cenário e passou a ocupar uma posição central na construção dos conflitos dramáticos.

Pedro Uchoa explica que o tempo de desenvolvimento da obra permitiu incorporar mudanças históricas e pessoais à dramaturgia.

“A cada gaveta, eu percebia que o mundo tinha avançado alguns passos e o texto precisava acompanhar esse deslocamento. Ele nasceu em outro momento histórico, quando muitas das questões digitais que hoje parecem centrais ainda estavam em formação. Ao longo desse tempo, o texto não ficou parado. Ele foi atravessado pelas transformações do mundo e pelas minhas próprias. O tempo trouxe um diálogo vivo com aquilo que eu ia escrevendo e funcionou como um coautor silencioso, tensionando ideias, aprofundando personagens e deixando que as imagens amadurecessem, até encontrarem a forma que têm hoje”, afirma o autor e diretor.

Para Uchoa, a velocidade dessas transformações também amplia o papel provocador do teatro, que pode criar um espaço de reflexão sobre comportamentos que se modificam rapidamente.

“As renovações tecnológicas alteraram profundamente o comportamento humano, em uma velocidade tão vertiginosa que se tornou urgente registrar em cena este nosso tempo. Diante dessa aceleração, o teatro tem que assumir quase uma função provocativa, criando uma experiência que nos permita reconhecer o impacto dessas transformações em nossas escolhas, afetos e conflitos. Uma experiência que não compete com a tecnologia, mas contracena com ela”, aponta.

O diretor também destaca a responsabilidade de abordar questões contemporâneas sem simplificar os dilemas apresentados. “A tecnologia hoje não é uma ferramenta, é um território. Então, quando usamos dramaturgicamente este território para criarmos uma dramaturgia que dialoga com o hoje, com nosso novo letramento, após criação de palavras que nem existiam no nosso dicionário, isso é também uma responsabilidade ética. Existe o desafio de tratar de assuntos tão atuais sem cair em respostas fáceis. A peça nasce desse desejo de pensar o presente com complexidade poética, mas sem simplificar de forma leviana os conflitos que nos atravessam”, pondera.

Espetáculo aproxima plateia e palco com interação digital

A encenação combina realismo e poesia, alternando momentos cômicos e trágicos em uma narrativa fragmentada e conectada à experiência contemporânea. A interação com o público começa antes mesmo do desenvolvimento da história, com um karaokê no qual os espectadores podem sugerir músicas por meio de um QR Code.

A participação continua no ambiente digital: a plateia também pode interagir em tempo real com o perfil do espetáculo no Instagram para escolher as canções. Dessa forma, a montagem propõe uma experiência que ultrapassa a divisão tradicional entre palco e público, incorporando recursos tecnológicos à própria dinâmica teatral.

Segundo Pedro Uchoa, a intenção é criar uma relação direta com os espectadores e estimular o reconhecimento de situações e dilemas presentes na vida cotidiana.

“Desde a primeira cena o público deixa de ser apenas espectador e passa a compartilhar a experiência. Canta junto, ri, se reconhece e, aos poucos, percebe que é testemunha nas questões que a peça aborda. É um trabalho que mistura humor e vertigem, vulnerabilidade e tecnologia. Me interessa fazer um teatro que afete a plateia, que provoque uma reflexão nos mais profundos paradigmas e use o teatro para pensar a própria vida. Criamos toda noite uma espécie de pacto silencioso que se estabelece cada vez que toca o terceiro sinal, cada vez que um elenco invoca merda. Quando faço teatro, faço para o outro”, conclui.

Ao unir recursos digitais, participação da plateia e conflitos familiares, “O Extermínio da Cegonha” leva ao palco questões sobre como a tecnologia redefine as relações humanas e influencia a forma como cada geração percebe o mundo.

Sinopse

Na trama, Isabel decide passar o feriado de finados em sua cidade natal com seu namorado, seu cunhado e sua irmã mais nova. Porém, um reencontro a princípio casual com Samuel, seu amigo da infância, desencadeia acontecimentos que trazem à tona fantasmas do passado, revelando conflitos e memórias irrebobináveis. Um olhar sensível sobre o que resta de nós quando nossas escolhas são atravessadas por algoritmos e as consequências de um clique. ‘O Extermínio da Cegonha’ mistura realismo brutal e poesia para investigar o colapso do encontro sinestésico entre o que fomos e o que nos tornamos atravessados pela tecnologia.

Sobre  Sérgio Porto

Fundado em 1983 no bairro do Humaitá, o espaço foi batizado em homenagem ao cronista e escritor Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta). Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como um polo de vanguarda e resistência cultural na Zona Sul do Rio de Janeiro, sendo reconhecido como ponto de partida para novos talentos da música, do teatro, da dança e das artes visuais, promovendo a integração entre diferentes linguagens artísticas.


Serviço

“O extermínio da Cegonha”

Temporada: 23 de outubro a 15 de novembro de 2026

Horário: Sexta-feira e Sábado, às 20h; Domingo, às 19h
Local: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto
Endereço: Rua Visconde de Silva, s/nº (ao lado do prédio 292) – Humaitá

Ingressos: R$ 30 (meia-entrada) / R$ 60 (inteira)
Link de Compra do Ingresso:  https://bileto.sympla.com.br/event/126895/d/413814/s/2693094

Contatos: (21) 3085-3549 | teatrosergioporto.cultura@prefeitura.rio

Informações sobre programação, acessibilidade, estacionamento e outros serviços: https://cultura.prefeitura.rio/espacos-culturais/teatros/espaco-cultural-municipal-sergio-porto/

Funcionamento: quarta a sexta-feira, de 14h às 22h; sábado e domingo, de 15h às 22h

Classificação Indicativa: 14 anos
Duração: 80 minutos
Instagram: @exterminiocegonha

 

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Tags: EntretêEspaço Cultural Sérgio PortoExpresso CariocaNotíciasO Extermínio da CegonhaPeçaTeatro
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