O partido La Libertad Avanza (LLA), do presidente Javier Milei, saiu vitorioso nas eleições locais em Buenos Aires, realizadas neste domingo (18), em um resultado que reforça o avanço da sigla ultraliberal no cenário político argentino. Com mais de 30% dos votos, o LLA, liderado na capital pelo porta-voz presidencial Manuel Adorni, superou tanto a centro-esquerda peronista quanto os conservadores do Propuesta Republicana (Pro), tradicionalmente dominantes na cidade.
Com 98% das urnas apuradas, a lista apoiada por Leandro Santoro (peronismo) ficou com pouco mais de 27%, enquanto Silvia Lospennato, candidata do Pro — partido do ex-presidente Mauricio Macri —, obteve menos de 16%. “Tentaram de todas as formas possíveis derrotar-me, mas não conseguiram. Permaneceremos de pé”, declarou Lospennato, reconhecendo a derrota.
Apesar de o resultado não alterar o comando do Executivo municipal, atualmente com Jorge Macri, primo do ex-presidente, eleito em 2023, a votação representa uma mudança significativa no tabuleiro político da capital argentina, dominada há quase duas décadas pelo Pro.
Sinal nacional
Embora seja uma eleição local, o pleito assumiu contornos nacionais. A disputa entre o Pro e o LLA — aliados formais no plano federal, mas rivais na prática — é vista como um termômetro para as eleições legislativas nacionais de outubro, nas quais Milei tentará ampliar sua base no Congresso. Atualmente, o LLA detém menos de 10% das cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado.
“O partido que vencer em Buenos Aires, vencerá também em nível nacional”, previu o cientista político Andrés Malamud, em entrevista à agência France-Presse.
A eleição foi marcada por forte envolvimento do presidente. Javier Milei esteve diretamente engajado na campanha de Adorni, participando de atos e promovendo o candidato nas redes sociais. Após a confirmação da vitória, o presidente celebrou no X (antigo Twitter): “Vida longa à liberdade, caramba…!!!”
Rivalidade exposta
Nos últimos meses, a aliança entre Milei e Macri deteriorou-se, com trocas públicas de críticas e ataques. A tensão aumentou com a adesão da ministra da Segurança, Patricia Bullrich — ex-candidata presidencial do Pro e atual aliada de Milei —, ao partido do presidente.
Para Milei, o bom desempenho do LLA em Buenos Aires reforça sua tentativa de se consolidar como principal força política contra o peronismo kirchnerista, liderado pela ex-presidente Cristina Kirchner. Ainda que a disputa pelo controle do Parlamento continue, o recado das urnas na capital é claro: a nova direita argentina, ultraliberal e disruptiva, ganhou espaço e quer mais.







