O Museu de Arte do Rio, o Museu de Arte do Rio, abriu ao público a exposição “Beleza Valente”, primeira mostra individual realizada no Brasil pela artista e ativista visual sul-africana Zanele Muholi. A exposição apresenta um amplo panorama de sua trajetória artística e reúne trabalhos produzidos ao longo de mais de duas décadas de atuação, consolidando a presença de uma das vozes mais influentes da fotografia contemporânea internacional.
A mostra chega ao Rio de Janeiro após temporada em São Paulo e reúne mais de 100 obras, entre fotografias e vídeos, que documentam experiências, histórias e identidades da comunidade negra LGBTQIAPN+ na África do Sul e em diferentes partes do mundo. O projeto tem curadoria de Daniele Queiroz, Thyago Nogueira e Ana Paula Vitorio.

O título “Beleza Valente” reflete uma das principais características da produção de Muholi: utilizar a arte como instrumento de resistência, visibilidade e afirmação. Em seus trabalhos, a beleza aparece associada à luta por reconhecimento e direitos, especialmente diante das violências historicamente enfrentadas por pessoas negras LGBTQIAPN+.
Nascida em 1972, na cidade de Umlazi, próxima a Durban, durante o período do apartheid sul-africano, Muholi construiu uma carreira marcada pela combinação entre arte e ativismo. A artista costuma definir seu trabalho como uma forma de atuação política por meio da imagem, registrando e preservando memórias frequentemente ausentes dos registros oficiais.
Entre os destaques da exposição está a série “Somnyama Ngonyama”, expressão que pode ser traduzida como “Salve, Leoa Negra”. Desenvolvido desde 2012, o projeto reúne autorretratos produzidos em diferentes países e utiliza objetos cotidianos para provocar reflexões sobre racismo, colonialismo, identidade, trabalho e representação da população negra. A série também presta homenagem à mãe da artista e aos seus ancestrais.
O público também poderá conhecer outras coleções importantes da trajetória de Muholi, como “Faces and Phases” e “Brave Beauties”, trabalhos que retratam pessoas negras lésbicas, bissexuais, trans, não binárias e integrantes de diferentes segmentos da comunidade LGBTQIAPN+, contribuindo para ampliar a visibilidade desses grupos no cenário artístico internacional.
A exposição inclui ainda obras produzidas durante a passagem da artista pelo Brasil em 2024. Na ocasião, Muholi participou de atividades culturais em São Paulo, visitou organizações ligadas à defesa dos direitos LGBTQIAPN+ e estabeleceu diálogos entre as experiências de resistência social vividas na África do Sul e no Brasil.
Reconhecida internacionalmente, Zanele Muholi já participou de importantes eventos de arte contemporânea, como a Bienal de Veneza e a Documenta 13. Sua produção é considerada uma referência global na discussão sobre raça, gênero, sexualidade e direitos humanos.
A mostra permanecerá em cartaz no Museu de Arte do Rio até novembro de 2026. A visitação ocorre de terça-feira a domingo, das 11h às 18h. Às terças-feiras a entrada é gratuita. Nos demais dias, os ingressos custam R$ 20, com meia-entrada disponível por R$ 10.







