O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A decisão foi adotada como medida de precaução após o registro de eventos adversos graves em pessoas que receberam a vacina, situação que agora será analisada por equipes técnicas e órgãos de vigilância sanitária.
Segundo informações divulgadas pela pasta, foram identificados 42 casos de reações severas temporalmente associadas à aplicação do imunizante. Entre essas ocorrências, houve registros de internações e duas mortes que estão sendo investigadas para determinar se existe relação direta com a vacina ou se os episódios foram provocados por outras condições de saúde dos pacientes.
A suspensão vale exclusivamente para a vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. O imunizante Qdenga, fabricado pela farmacêutica Takeda e utilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), continua sendo aplicado normalmente nos públicos contemplados pela campanha nacional de vacinação.
De acordo com o Ministério da Saúde, a medida não representa uma conclusão sobre a segurança da vacina brasileira, mas sim uma etapa necessária para aprofundar a investigação dos casos relatados. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a decisão busca garantir máxima segurança à população durante o processo de avaliação dos eventos registrados. A pasta também reiterou confiança na capacidade técnica e científica do Instituto Butantan.
Até o fim de maio, mais de 500 mil doses da vacina do Butantan haviam sido aplicadas em todo o país. Grande parte desse público era composta por profissionais da atenção primária à saúde, grupo escolhido para a estratégia inicial de vacinação adotada pelo governo federal após a incorporação do imunizante ao SUS no início deste ano.
Além da suspensão das novas aplicações, o Ministério orientou estados e municípios a monitorarem pessoas vacinadas recentemente, especialmente aquelas que receberam a dose nas últimas semanas. O objetivo é ampliar a coleta de informações e identificar rapidamente qualquer ocorrência que possa contribuir para as investigações em andamento.
A vacina do Instituto Butantan representa um marco para a ciência nacional por ser o primeiro imunizante contra a dengue desenvolvido e produzido integralmente por uma instituição brasileira. Registrada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no final de 2025, a vacina foi criada para oferecer proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue em dose única.
As autoridades de saúde ressaltam que a interrupção é temporária e permanecerá vigente até a conclusão das análises técnicas. Os resultados da investigação deverão indicar se os eventos observados possuem relação causal com o imunizante ou se decorreram de fatores independentes da vacinação. Até lá, a recomendação é que a população acompanhe as orientações oficiais divulgadas pelos órgãos de saúde.







