Apesar da crescente digitalização da sociedade, cerca de 20,5 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais ainda não acessam a internet em 2024. O número equivale a 10,9% da população nesta faixa etária. Entre os motivos apontados, o principal é a falta de conhecimento para usar a rede — razão citada por 45,6% dos desconectados, ou cerca de 9,3 milhões de pessoas.
Os dados são do suplemento de tecnologia da informação e comunicação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgado nesta quinta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A coleta foi feita no último trimestre de 2024, com base nos hábitos dos entrevistados nos 90 dias anteriores.
O analista do IBGE, Gustavo Geaquinto Fontes, destaca que, embora o acesso esteja em expansão, o desconhecimento ainda é um entrave, especialmente entre os idosos. Nessa faixa etária, 66,1% dos que não usam a internet disseram que não sabem como mexer.
Ainda assim, os números mostram avanço da inclusão digital: 168 milhões de brasileiros usam a internet, o que representa 89,1% da população com 10 anos ou mais.
Desigualdade educacional e etária
O levantamento mostra que a exclusão digital é mais acentuada entre idosos e pessoas com menor escolaridade. Mais da metade dos que não acessam a internet (52,1%) têm 60 anos ou mais, e 73,4% têm até o ensino fundamental completo ou nenhuma instrução.
Outros motivos apontados para a não utilização da internet incluem falta de necessidade (em alta entre os mais jovens) e custos com serviço ou equipamento — embora este último fator venha perdendo relevância. Em 2024, 10,9% mencionaram essa razão, frente a 16,2% em 2022.
Segurança e privacidade em foco
Entre adolescentes de 10 a 13 anos, a principal justificativa para não utilizar a internet foi “falta de necessidade” (33,9%). Já a preocupação com privacidade ou segurança ganhou destaque: 22,5% dos entrevistados citaram esse receio em 2024, ante 15,6% em 2022.
A mesma preocupação aparece como motivo para 24,1% dos jovens dessa faixa etária não possuírem telefone celular — índice que era de 17,2% em 2022.
Fontes do IBGE apontam que essa decisão nem sempre parte dos próprios jovens. “Pode refletir também a preocupação dos próprios pais ou responsáveis. Apesar de ser um equipamento importante para comunicação, é uma preocupação de pais”, explica Gustavo Fontes.
Iniciativa para proteção online
Com foco na proteção da infância na era digital, a organização Childhood Brasil lançou uma cartilha com dicas e orientações para garantir segurança na internet para crianças e adolescentes. O material está disponível online para acesso gratuito.







