O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta terça-feira (22) da abertura do debate de alto nível da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nos Estados Unidos. Como ocorre tradicionalmente, o chefe do governo brasileiro será o primeiro líder a discursar no plenário, seguido pelo presidente norte-americano Donald Trump.
A fala de Lula está prevista para ocorrer pela manhã. A agenda do presidente inclui ainda uma reunião com o secretário-geral da ONU, António Guterres. Depois do pronunciamento, a previsão é que Lula retorne ao Brasil ainda nesta terça-feira.
O discurso ocorre em um cenário internacional marcado pela continuidade de diferentes conflitos e deve abordar temas que fazem parte das posições tradicionais da diplomacia brasileira, entre eles a defesa do multilateralismo, a busca por soluções negociadas para disputas internacionais, o respeito ao direito internacional humanitário e a não interferência nos assuntos internos de outros países.
Reforma da ONU entra na pauta
A necessidade de atualizar a estrutura das Nações Unidas também deverá ser mencionada pelo presidente. O Brasil defende uma reforma da organização, especialmente do Conselho de Segurança, com mudanças em sua composição e funcionamento.
A avaliação apresentada pelo governo brasileiro é de que a estrutura atual do órgão enfrenta dificuldades para responder aos conflitos e às transformações do cenário internacional. A posição brasileira sobre o tema vem sendo defendida há anos em diferentes fóruns diplomáticos.
Outro ponto esperado no pronunciamento é a defesa da negociação como instrumento para solucionar conflitos. Segundo informações divulgadas pelo Ministério das Relações Exteriores, Lula também deverá abordar questões relacionadas à paz, à cooperação internacional, à pobreza e à fome.
O tema oficial da 81ª Assembleia Geral é “Restaurando a confiança, administrando transformações: uma ONU que produza resultados para todos”.
Encontro com Zohran Mamdani
Antes da abertura da Assembleia Geral, Lula cumpriu uma agenda de encontros em Nova York. Na segunda-feira (21), reuniu-se com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, que assumiu o cargo no início de 2026.
Os dois trataram de questões relacionadas à pobreza, ao custo de vida, à democracia e ao enfrentamento do extremismo político e da desinformação. Mamdani também apresentou ao presidente brasileiro preocupações relacionadas ao custo de vida em Nova York.
Lula também se encontrou com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi. Na conversa, os dois discutiram temas relacionados ao multilateralismo e à integração latino-americana. Segundo Lula, Orsi autorizou o Brasil a utilizar o excedente da cota uruguaia de exportação de carne bovina para a China. Os presidentes também trataram de regulamentação das apostas online e de projetos de integração entre os dois países.
Lula e Trump estarão no mesmo plenário
O presidente dos Estados Unidos será o segundo chefe de Estado a discursar nesta terça-feira, logo depois de Lula. Até o momento, não havia confirmação oficial de uma reunião bilateral entre os dois presidentes.
Os dois, porém, podem se encontrar nos bastidores da Assembleia Geral. Em 2025, Lula e Trump tiveram um breve contato no plenário da ONU, quando o presidente brasileiro deixava o palco e o norte-americano se preparava para fazer seu discurso. Posteriormente, Trump descreveu a interação como marcada por uma “química excelente”.
Desde então, os dois líderes tiveram outros encontros e conversas, incluindo contatos relacionados às relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e a temas da agenda internacional.
Décima primeira participação de Lula
A presença de Lula nesta edição representa a 11ª participação do presidente na Assembleia Geral da ONU como chefe de Estado brasileiro. Durante seus três mandatos presidenciais, ele esteve ausente apenas da edição de 2010.
A tradição determina que o Brasil faça o primeiro pronunciamento do debate de alto nível da Assembleia Geral. A posição está relacionada ao histórico de participação brasileira na criação e consolidação da organização internacional.
Agenda brasileira continua ao longo da semana
A participação do governo brasileiro em Nova York não se limita ao discurso presidencial. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanece na cidade durante a semana para participar de encontros ministeriais e reuniões de diferentes grupos internacionais.
Entre as agendas previstas estão reuniões do Brics, IBAS, G77, G4, L69 e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), além de encontros da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e do Consenso de Brasília.
Vieira também presidirá duas reuniões ministeriais. No dia 23, será realizado o encontro da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada pelo Brasil durante a presidência brasileira do G20, em 2024. Atualmente, a aliança reúne mais de 215 membros, incluindo mais de 100 países.
No dia 24, o chanceler comandará a reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas). O Brasil ocupa atualmente a presidência da organização, após a 9ª Reunião Ministerial, realizada em abril deste ano, e permanecerá à frente do grupo por três anos.
Também estão previstas atividades da delegação brasileira relacionadas à situação da Palestina e à proposta de solução de dois Estados, ao combate à desigualdade, à consolidação da paz e ao direito internacional humanitário.
A comitiva brasileira inclui, além de Mauro Vieira, os ministros Esther Dweck, da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos; Luiz Eloy Terena, dos Povos Indígenas; e Rachel Barros, da Igualdade Racial. O ministro Wellington Dias, do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, também participa de agendas ligadas à segurança alimentar, proteção social e cooperação internacional.







