
A manhã deste sábado (31) foi de ruas lotadas, muito calor humano e música alta no Centro do Rio. No Circuito Preta Gil, espaço dedicado aos megablocos, o Bloco da Gold confirmou seu protagonismo no Carnaval de rua ao levar uma multidão embalada pelo som do GG da Bahia. Pelo terceiro ano consecutivo, Léo Santana comandou o trio elétrico e transformou a região em um verdadeiro mar de foliões, reafirmando o bloco como um dos grandes fenômenos da festa.
Com um público estimado em cerca de 250 mil pessoas, o desfile repetiu os recordes de edições anteriores. O cantor apresentou um repertório vibrante, misturando sucessos recentes como “Desliza” e “Marquinha de Fitinha” a hits consagrados da carreira, entre eles “Zona de Perigo”, “Santinha”, “Êta Novinha” e “Perna Bamba”. Ao longo do trajeto pela rua Primeiro de Março, ninguém ficou parado: o público cantou, dançou e respondeu à energia do artista do início ao fim.

Para o presidente da Riotur, Bernardo Fellows, o desfile simboliza a força do Carnaval de rua carioca. “Os megablocos são um fenômeno do Carnaval do Rio, e o Léo Santana é um exemplo claro disso. Ver milhares de pessoas reunidas desde cedo, mesmo semanas antes do Carnaval oficial, mostra o sucesso da organização e, principalmente, o amor do povo pela cultura popular”, afirmou.
Empolgado, Léo Santana não escondeu a emoção ao ver a multidão ainda antes das 9h da manhã. Durante a apresentação, o cantor destacou a mistura de ritmos e fez questão de homenagear Marília Mendonça, interpretando “Apaixonadinha”, parceria entre os dois. O trio também recebeu a participação especial do cantor carioca Yan, revelação do pagode, reforçando o diálogo musical entre Bahia e Rio.
A fundadora do Bloco da Gold, Alana Mendes, celebrou o sexto ano do desfile na cidade. “Cada ano é uma experiência ainda melhor. A gente chega cedo e já encontra um público enorme, animado, feliz. É muito gratificante fazer parte de um calendário tão importante para o Rio”, destacou.
Consciência e diversão na Praça Tiradentes
Enquanto o megabloco agitava o Circuito Preta Gil, a Praça Tiradentes também foi tomada pela folia com o Bloco Desliga da Justiça. Com o tema “Liga da Sustentabilidade”, a agremiação apostou em uma proposta que uniu música, fantasia e conscientização ambiental, transformando a festa em espaço de reflexão coletiva.
Primeira mulher a presidir o bloco, Camila Dias ressaltou a importância de abordar o tema de forma acessível. “Falar de sustentabilidade é discutir mudança de comportamento e de consumo. As mudanças climáticas já estão aí, e a cultura é uma forma potente de levar essa mensagem com alegria”, afirmou.
Fiel ao nome que brinca com os heróis do universo DC, o Desliga da Justiça atraiu foliões fantasiados de personagens dos quadrinhos. Entre eles, um grupo de Lanternas Verdes formado por familiares chamou atenção. “Participamos há dez anos. É um bloco organizado, com música boa e clima familiar”, contou Messias Costa, que curtia a festa ao lado da filha.
O repertório passeou por clássicos do Carnaval e da música brasileira, como “É Hoje”, “Vou Festejar”, “Alegria, Alegria” e sucessos do axé da Banda Eva, garantindo animação do início ao fim. Além disso, o bloco manteve a coleta de latinhas durante o desfile, ação realizada desde outubro de 2025 e destinada a catadores locais, reforçando o compromisso ambiental.
Criado a partir da inquietação de músicos e foliões com temas políticos e sociais, o Desliga da Justiça consolidou sua identidade ao transformar assuntos complexos em marchinhas e sambas bem-humorados. Assim, entre megablocos grandiosos e propostas criativas, o pré-Carnaval carioca mostrou, mais uma vez, sua pluralidade e força nas ruas da cidade.







