A juíza Julieta Makintach, uma das três integrantes do tribunal que julga o caso da morte de Diego Maradona, renunciou ao cargo nesta terça-feira (27) após ser envolvida em um escândalo relacionado a uma filmagem não autorizada dentro do tribunal. A decisão levanta dúvidas sobre a continuidade do julgamento, que já foi suspenso por uma semana.
Makintach aceitou a petição de afastamento depois de ser filmada por um cinegrafista particular em seu gabinete e nos corredores do tribunal, violando a proibição de gravações não oficiais. As imagens fariam parte de um suposto documentário intitulado “Justiça Divina”, uma alusão ao apelido “Deus” dado a Maradona por seus admiradores.
“É uma tragédia judicial”, lamentou Fernando Burlando, advogado das filhas mais velhas de Maradona, Dalma e Gianinna. Ele, no entanto, acredita que o julgamento poderá prosseguir ainda este ano, com a substituição da juíza.
Maradona morreu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, de insuficiência cardíaca e parada cardíaca, após um histórico de problemas de saúde e uma cirurgia craniana realizada semanas antes. A investigação apontou “homicídio com dolo eventual”, e sete profissionais da equipe médica do ex-jogador são réus por suposto tratamento negligente.
O aguardado julgamento teve início em março deste ano, no tribunal de San Isidro, em Buenos Aires, com mais de 190 testemunhas convocadas, incluindo familiares, médicos, especialistas e amigos. A renúncia da juíza ocorre em meio a mais uma turbulência que atrasa a busca por justiça no caso que comove a Argentina e o mundo.
Ícone eterno do futebol, Maradona foi campeão da Copa do Mundo de 1986 com a Argentina, eternizando-se com gols históricos contra a Inglaterra, e elevou o Napoli a patamares inéditos no futebol europeu.







