O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) suspendeu, de forma imediata, o Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), principal iniciativa criada pelo governo para reduzir a fila de espera por aposentadorias, auxílios e demais benefícios previdenciários. A paralisação ocorre por falta de recursos orçamentários, conforme documento assinado pelo presidente do órgão, Gilberto Waller Junior.
De acordo com o ofício, o remanejamento de R$ 89,1 milhões dentro do orçamento do Ministério da Previdência é necessário para garantir a continuidade do programa, que oferecia bônus de produtividade a servidores e peritos como incentivo para acelerar a análise de processos.
Com a suspensão, novas análises estão interrompidas, tarefas em andamento retornarão às filas ordinárias e agendamentos fora do expediente serão suspensos ou remarcados, segundo as determinações oficiais.
Programa consumiu verba antes do previsto
Criado por medida provisória em abril e transformado em lei em setembro, o PGB pagava R$ 68 por processo concluído e R$ 75 por perícia médica adicional, sem ultrapassar o teto do funcionalismo público (R$ 46,3 mil mensais). O programa, com orçamento inicial de R$ 200 milhões para 2025, tinha validade até dezembro de 2026, mas o montante foi totalmente consumido antes do fim do ano.
A medida substituiu o antigo Plano de Enfrentamento à Fila da Previdência, encerrado em 2024, e vinha sendo considerada essencial para reduzir o tempo médio de análise dos pedidos.
Fila de espera atinge patamar recorde
Com a interrupção do programa, o governo enfrenta o risco de novo aumento na fila de benefícios. Segundo dados do próprio INSS, mais de 2,6 milhões de solicitações aguardavam análise em agosto — número que pode chegar a 2,7 milhões até o fim de outubro.
O cenário é agravado pela greve de 235 dias dos médicos peritos, ocorrida entre 2024 e 2025, que paralisou parte das avaliações e ampliou o tempo de espera.
O Ministério da Previdência Social havia prometido zerar a fila até o fim do atual mandato, mas o avanço das demandas e a falta de recursos colocam em dúvida a viabilidade da meta.
Pressão fiscal limita manobras do governo
A suspensão do PGB reflete o estreitamento fiscal enfrentado pelo governo federal, que busca equilibrar as contas públicas e cumprir a meta de superávit primário de R$ 34,3 bilhões em 2026. O bloqueio de recursos para o INSS ocorre após a perda de validade de uma medida provisória que elevaria tributos sobre bancos e apostas online — receita que seria usada para reforçar o caixa.
Especialistas alertam que, sem os bônus de produtividade, o ritmo de análise deve cair significativamente, afetando sobretudo aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada) — grupo que depende desses valores como principal fonte de renda.
Tentativa de recomposição
Em nota interna, o INSS informou que trabalha junto aos ministérios da Previdência e do Planejamento para recompor o orçamento e restabelecer o programa ainda em 2025. “A suspensão é temporária e necessária diante da atual indisponibilidade orçamentária”, afirmou o órgão.
Enquanto aguarda nova liberação de recursos, os servidores do INSS devem atuar apenas na rotina regular, sem pagamento adicional por produtividade — o que, segundo técnicos do setor, deve resultar em maior lentidão na concessão de benefícios em todo o país.







