A França solicitou oficialmente a realização de um exercício militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Groenlândia e afirmou estar pronta para participar da operação, segundo informou nesta quarta-feira (21) o gabinete do presidente Emmanuel Macron. A iniciativa surge em um momento de crescente sensibilidade geopolítica envolvendo a região do Ártico.
O anúncio coincide com a chegada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Davos, na Suíça, onde participa do Fórum Econômico Mundial. A expectativa é que Trump volte a abordar o tema da Groenlândia, apesar das manifestações contrárias de líderes europeus, em um contexto considerado o maior desgaste das relações transatlânticas das últimas décadas.
Na véspera, durante discurso no próprio fórum, Macron adotou um tom firme ao afirmar que a Europa não cederá a intimidações nem a atitudes coercitivas, em uma crítica direta às declarações de Trump. O presidente norte-americano voltou a ameaçar impor tarifas elevadas caso países europeus não concordem com sua proposta de assumir o controle da Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca.
A postura de Trump tem gerado preocupação dentro da Otan, cujos líderes alertam que a estratégia dos Estados Unidos em relação à Groenlândia pode fragilizar a coesão da aliança militar. O tema ganhou ainda mais repercussão após o presidente americano associar publicamente a questão à sua frustração por não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz, declaração que ampliou o mal-estar diplomático.
A Groenlândia, estratégica por sua localização e importância no cenário de segurança do Ártico, tornou-se um ponto central de disputa política e simbólica entre aliados históricos. O pedido francês por um exercício da Otan é interpretado como um sinal de reforço da presença europeia e da defesa coletiva, em meio a um cenário internacional cada vez mais tensionado.







