O Centro Histórico de Salvador virou palco de uma celebração que vai muito além dos livros. A nona edição da Flipelô — Festa Literária Internacional do Pelourinho — começou nesta quarta-feira (6) com a peça teatral Os dias bem amados: vida e obra de um autor baiano, dirigida por Gil Vicente, em homenagem ao escritor e novelista Dias Gomes. O musical lotou o Pelourinho, marcando a abertura de um evento que une literatura, música, teatro e cultura popular.
“O grande chamariz da Flipelô é que ela transforma o coração da cidade — o centro histórico — no Carnaval das Letras e da literatura”, define o curador Deco, responsável por dois dos principais espaços do evento: a Vila Literária e o Espaço para Infâncias Mabel Velloso.
Um palco múltiplo para a cultura
Até domingo (10), a Flipelô ocupa cerca de 150 espaços públicos e privados com uma programação inteiramente gratuita. Shows, saraus, mesas de debate, lançamentos de livros, oficinas, roteiros gastronômicos e atividades infantis compõem uma agenda rica e diversa, que este ano aposta ainda mais na internacionalização, com autores de países de língua portuguesa como Moçambique e Costa do Marfim.
“A programação está riquíssima, dialogando com muitos gêneros literários e diversas formas de escrita”, destaca Deco. A festa homenageia também Jorge Amado, encerrando no domingo com um concerto especial em sua memória.

Literatura para todas as idades
O público infantil ganha atenção especial no Espaço Mabel Velloso, que traz nomes como Flávia Lins e Silva, Lázaro Ramos, Elisama Santos e Alexandre Coimbra Amaral. A ideia é apresentar histórias em que a criança é protagonista, promovendo encantamento e inclusão desde cedo.
Para o público jovem, a Vila Literária no Largo Tereza Batista traz batalhas de desenhos ao vivo, concurso de cosplay e até desfile discotecado — uma fusão entre cultura pop e literatura que reforça o clima festivo e inovador da Flipelô.
Público apaixonado e engajado
O escritor Davi Boaventura, morador de Salvador, participa do evento como autor e leitor. “A Flipelô movimenta a cidade e dá destaque à literatura, que muitas vezes é ofuscada por outras artes. É essencial esse espaço”, afirmou.
A professora Flávia Lima, também da capital baiana, já traçou seu roteiro pela programação: “É um momento em que Salvador se abre para receber autores que a gente só conhecia das páginas. Estar perto deles é mágico.”
De fora da cidade, a bibliotecária Elisabete Veras veio do Rio de Janeiro especialmente para vivenciar essa imersão literária: “É uma grande oportunidade de estar próxima dos autores que admiro. Essa proximidade é o que torna a Flipelô tão especial.”
Cultura acessível e afetuosa
Consagrada como o maior evento literário da Bahia, a Flipelô espera superar as 250 mil pessoas que passaram pelo evento em 2024. Mais do que números, o que se vê é um encontro afetivo entre leitores, escritores e a cidade.
A Flipelô é apresentada pelo Ministério da Cultura e pela Fundação Casa de Jorge Amado. A programação completa está disponível no site oficial do evento.







